Ponto de vista do narrador
A aula acabou tarde. O trabalho em grupo foi tenso. Beatriz passou duas horas lançando olhares frios e comentários disfarçados, mas Carlos Eduardo segurou a onda, entregou as partes dele com antecedência e saiu, pensando apenas em uma coisa, na verdade em uma pessoa, Natália.
Quando finalmente se encontraram na saída da faculdade, pegaram a moto de volta, o céu já estava preto, o vento frio batendo forte contra o corpo dos dois.
Durante todo o trajeto, Natália apertava a cintura de Carlos Eduardo com mais força do que o necessário. Sentia o calor dele atravessando a jaqueta de couro, o cheiro de perfume misturado com gasolina e noite. Cada curva da estrada fazia o corpo dela se colar ainda mais nele, e ela sabia que ele sentia também: a ereção dele pressionava firme contra a braguilha desde o instante em que ela subiu na garupa.
Chegaram na casa depois das onze. A babá noturna já tinha colocado Rebeca para dormir. A luz da sala estava apagada, só o abajur d