Ponto de vista do narrador
O bar ficava escondido numa rua estreita do centro antigo, daqueles lugares que sobrevivem ao tempo justamente por não chamarem atenção. Luz baixa, cheiro de álcool envelhecido e madeira úmida. Letícia escolheu a mesa no fundo, de costas para a parede, visão total da entrada.
Daniel Raven chegou exatamente no horário combinado. Casaco escuro, barba por fazer, o mesmo olhar atento de quem nunca relaxa completamente. Não pediu bebida. Apenas sentou-se à frente dela.
— Você disse que tinha algo grande — falou, direto. — Algo que valeria o risco.
Letícia sorriu de canto, calma demais para alguém lidando com um homem que já tinha cruzado limites perigosos.
— Vale — respondeu. — E desta vez não é só informação. É acesso.
Daniel inclinou-se levemente para a frente.
— Estou ouvindo.
Letícia deslizou o celular sobre a mesa, a tela já acesa. Não havia fotos explícitas, nem documentos ali — apenas uma agenda com datas marcadas.
— Carlos Alberto vai viajar — d