Parecia impossível, mas já se passara um mês desde que Arianna pisara pela primeira vez na cobertura de David Martel. Trinta dias de rotina intensa, de noites interrompidas por choros de bebê, de dias preenchidos com fraldas, mamadeiras, brincadeiras no tapete rosa e cantigas sussurradas no escuro. Um mês em que a vida dela virara de cabeça pra baixo — do desemprego desesperado para um salário que permitia sonhar com um futuro menos apertado, do apartamento minúsculo para uma casa onde cada cômodo parecia saído de revista de decoração.
Mas também um mês de tensão silenciosa.
Arianna olhava o calendário no celular enquanto se arrumava no quarto, o uniforme azul-claro e branco já familiar no corpo. O sol da manhã entrava pelas janelas altas, iluminando o tapete bege e o abajur dourado. O cheiro de café subia da cozinha lá embaixo, misturado com o talco de bebê que agora impregnava tudo na vida dela. Ela sentia uma ansiedade borbulhando no estômago, como borboletas nervosas — hoje era o