David olhava para as pilhas de documentos sobre a mesa de mogno polido, as páginas cheias de números, contratos e projetos que normalmente o absorviam por horas a fio. Hoje, as letras dançavam diante dos olhos dele, sem sentido, como se fossem palavras em uma língua estrangeira. O ar frio do ar-condicionado central batia na pele exposta dos antebraços, onde ele havia dobrado as mangas da camisa social cinza-claro, mas o corpo inteiro parecia quente, febril. Apenas de se lembrar de Arianna — da boca dela envolvendo ele com uma vontade que o pegou de surpresa, do gemido baixo e rouco que ela soltou quando gozou nos dedos dele, do gosto doce e salgado que ficou na língua quando ele lambeu os dedos melados — o calor subia de novo, concentrado no peito, na barriga, entre as pernas.
Ele respirou fundo, devagar, tentando afastar as imagens.
O escritório cheirava a café fresco e couro novo das poltronas, mas o nariz dele ainda captava o perfume dela misturado com suor e desejo: algo floral le