David ficou sozinho na varanda coberta por mais tempo do que pretendia.
O borbulhar suave da jacuzzi ecoava baixo, quase hipnótico, misturado ao som distante da cidade lá embaixo — buzinas, motores, o ronco constante de São Paulo que nunca dormia. A água quente iluminada por LEDs azuis refletia nas plantas altas ao redor, criando sombras dançantes nas paredes de vidro. O ar da noite era fresco, carregado do cheiro de cloro e terra molhada, mas o corpo dele ainda queimava por dentro, uma febre que a mãe dele chamaria de “cabeça de baixo mandando na de cima”.
Ele encostou na grade, os cotovelos apoiados no metal frio, olhando as luzes da Paulista piscando como estrelas artificiais. O vento leve bagunçava o cabelo úmido do banho que tomara mais cedo, tentando lavar o resto da boate, o suor, o perfume dela. Mas não adiantava. O cheiro de Arianna — floral leve, misturado com suor e desejo — ainda parecia grudado na pele dele, nas mãos, na boca. Não importava quanto tempo passava, ele e