Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla esperou por cinco anos. Carl sempre acreditou que haveria tempo. Tempo para compensar o aniversário esquecido, para remarcar a viagem cancelada, para pedir desculpas por mais uma promessa quebrada. Lucy também acreditou nisso durante muito tempo. Abriu mão da própria carreira, dos próprios sonhos e da mulher brilhante que um dia foi, convencida de que um casamento também era feito de renúncias. Mas, enquanto esperava que Carl finalmente a escolhesse, descobriu que sua ausência nunca vinha sozinha. Ela sempre chegava acompanhada de uma nova prioridade... ou de Olivia, a funcionária em quem Carl confiava cegamente e que, pouco a pouco, ocupava espaços que jamais poderia ocupar. Cada pedido de desculpas vinha dentro de uma pequena caixa de veludo, cada joia escondia uma ausência. E, sem que Carl soubesse, Lucy passou a guardar todas elas. Não pelo valor, mas para nunca esquecer o motivo pelo qual haviam sido dadas. Até o dia em que ouviu do próprio homem que amava as palavras que destruíram o pouco que ainda restava dentro dela. "O que ainda existe em você para ser amado?" Foi naquele instante que Lucy deixou de esperar. Um acidente muda tudo. Agora, Carl precisa enfrentar uma verdade para a qual nunca esteve preparado: o maior erro de sua vida não foi ter deixado de comprar flores, lembrar aniversários... Foi acreditar, durante anos, que a mulher que amava sempre estaria esperando por ele. Porque existem ausências que matam um casamento antes mesmo de alguém ir embora e existem corações que, depois de esperar tempo demais, aprendem a seguir em frente sozinhos. Uma Nova Chance – Quando Deixei de Esperar por Você: é um romance emocionante sobre abandono emocional, arrependimento, recomeços e a dolorosa descoberta de que algumas pessoas só percebem o verdadeiro valor do amor quando ele já escolheu partir.
Ler maisA porta se abriu de repente, batendo contra a parede.
Carl Whitmore ergueu os olhos da tela do computador, claramente incomodado com a invasão.
À sua frente estava Will Mercer, seu melhor amigo e seu advogado. Porém, naquele momento, o homem parecia qualquer coisa, menos disposto a agir como um dos dois.
Sem dizer uma palavra, Will caminhou até a mesa e deixou uma pasta cair diante dele.
— O que é isso? — perguntou Carl, franzindo a testa.
Will sustentou seu olhar.
Havia incredulidade, irritação... e algo próximo do desprezo.
— Parabéns, Carl.
Ele apoiou as duas mãos sobre a mesa.
— Você tanto insistiu que finalmente conseguiu o que queria.
Carl olhou da pasta para o amigo.
— Do que você está falando?
Will fez um leve gesto com a cabeça.
— Abra.
Carl pegou a pasta e a abriu sem muita pressa. Primeiro estreitou os olhos, como se não tivesse compreendido as letras em destaque no alto da folha. Leu novamente. Sua expressão mudou aos poucos e seus olhos escureceram.
— Quem lhe deu isso?
— O advogado dela.
Carl soltou um riso anasalado e fechou a pasta.
— O que a Lucy está aprontando agora? Quer chamar minha atenção?
Will permaneceu olhando para ele por alguns segundos. Havia incredulidade, mas, acima de tudo, decepção.
— Você ainda consegue brincar com isso, Carl?
Carl ergueu os olhos.
— Vai me dizer o que está acontecendo ou pretende ficar fazendo mistério?
Will respirou fundo, passou a mão pelo rosto e balançou a cabeça lentamente.
— Às vezes eu me pergunto onde foi parar a sua inteligência. Você realmente ainda não entendeu o que tem nas mãos?
Will saiu da sala visivelmente irritado, deixando a porta aberta. Carl passou lentamente os dedos sobre a capa de couro marrom da pasta à sua frente, perdido em pensamentos.
O som de saltos altos pelo corredor chamou sua atenção.
Toc... toc...
Duas batidas suaves na porta.
Olivia Sullivan apareceu com um sorriso delicado no rosto. Os grandes olhos claros pareciam transmitir a mesma doçura de sempre.
— O que aconteceu com o senhor Will?
Carl não respondeu. Apenas abriu a gaveta da mesa, guardou a pasta e a fechou.
Olivia o observou por um instante.
— Quer tomar um café?
— Não. Preciso fazer uma ligação.
Ela apenas assentiu.
— Está bem.
Saiu da sala e fechou a porta devagar, ainda com aquele sorriso gentil nos lábios.
A grande sala no décimo andar de um dos prédios mais importantes do centro de Nova York pareceu maior e mais silenciosa do que de costume.
Carl, então, puxou novamente a pasta da gaveta. Seus olhos percorreram as primeiras linhas mais uma vez, como se procurassem algum detalhe que justificasse aquilo.
Não encontrou.
Pegou o celular sobre a mesa de ébano e discou.
A chamada demorou alguns segundos para completar.
Na terceira tentativa, ela atendeu.
— Sim.
— Venha até aqui.
Houve alguns segundos de silêncio.
— Não há necessidade, Carl. Você pode tratar disso com o meu advogado.
Carl recostou-se na cadeira.
— Não quer que eu assine?
Fez uma breve pausa antes de continuar.
— Então venha me entregar isso pessoalmente.
Seus olhos voltaram para a pasta aberta sobre a mesa.
— Ou você não tem coragem, Lucy?
Lucy Hart embalava suas últimas telas quando o telefone começou a tocar. Naquele instante, retirava da parede da sala o último quadro que ainda permanecia pendurado.
Uma marca mais clara ficou na pintura.
Assim como aquela tela, ela também estivera naquela casa durante cinco anos.
E, como ela, partiria deixando para trás apenas uma pequena sombra. Ela colocou as últimas telas no porta-malas do carro. No caminho, fez uma parada na transportadora. A maior delas seguiria para Montreal.
Poucos minutos depois, estacionou no subsolo da Whitmore Tower.
Vestia uma calça jeans, camiseta branca e um tênis discreto. Os cabelos ondulados, cor de mel, estavam presos em um rabo de cavalo, enquanto a franja suavizava seu rosto. Os grandes olhos verdes lhe davam uma aparência doce, quase ingênua, embora escondessem uma força que poucos conheciam.
Assim que entrou na recepção, a atendente levantou-se da cadeira.
— Senhora Whit...
Nem terminou a frase.
Lucy seguiu em frente sem diminuir os passos e entrou no elevador.
Quando as portas se abriram no último andar, deu de frente com Olivia Sullivan.
O tailleur vermelho impecavelmente ajustado contrastava com os cabelos loiros soltos, perfeitamente alinhados na altura dos ombros.
Olivia sorriu.
— Lucy? Quer que eu avise ao Carl que você chegou?
— Ele me chamou.
Lucy continuou caminhando.
— Talvez ele esteja ocupado...
Ela não respondeu.
Passou por Olivia sem sequer olhar para trás.
Dois toques suaves na porta.
Carl sorriu antes mesmo de responder.
Já sabia quem era.
Ela não perdera tempo.
— Entre.
Levantou-se da cadeira enquanto dobrava lentamente as mangas da camisa. Os cabelos escuros permaneciam impecavelmente alinhados, como se o dia ainda estivesse começando.
Caminhou ao encontro dela e, quando Lucy passou pela porta, fechou-a atrás de si.
— Vamos conversar.
A voz saiu calma enquanto suas mãos pousavam com firmeza sobre os ombros dela.
Lucy não tentou afastá-lo.
Apenas o encarou.
— Não há mais o que conversar, Carl. Basta assinar.
Ele sorriu de lado.
— Mesmo?
Aproximou-se mais um pouco.
— E depois? Vai para onde, Lucy?
Ela permaneceu em silêncio.
— Sem emprego... sozinha...
Seus olhos percorreram o rosto dela.
— Você já se acostumou com esta vida. Com o conforto.
Fez uma pequena pausa antes de completar:
— Você não é mais aquela garota do Kansas.
— Já vivi sem tudo isso antes, Carl.
Ela sustentou seu olhar.
— Se você leu os documentos, viu que não estou pedindo absolutamente nada, embora esta empresa também tenha sido construída com o meu trabalho.
Carl balançou a cabeça, impaciente.
— Pare com isso. Você quer viajar? Podemos ir para Paris. Podemos tirar um tempo. Resolver isso.
Lucy sorriu sem alegria.
— Eu não quero mais nada, Carl. Só a sua assinatura naquele papel.
A voz saiu firme, mas havia um nó em sua garganta que quase a impedia de respirar.
Ela respirou fundo antes de continuar.
— Não é tão difícil assim, é?
Os olhos dele permaneceram fixos nela.
Lucy abaixou a cabeça por um instante.
— Afinal... já não sobrou nada em mim para ser amado.
As palavras atingiram Carl como um golpe.
Ela levou a mão ao bolso da calça, retirou um cartão bancário preto com letras douradas e o estendeu em sua direção.
— O seu cartão.
Ele não o pegou.
Lucy colocou-o sobre a mesa.
— Todo o seu dinheiro continua aí.
Carl franziu a testa.
— O que você está dizendo?
— Nunca usei um centavo do seu dinheiro.
Ela deu um passo para trás.
— E, se não quiser assinar hoje, assinará no tribunal. De um jeito ou de outro, este casamento acabou.
Virou-se e saiu.
Carl permaneceu imóvel por apenas um segundo.
Então correu.
Quando alcançou o corredor, a porta do elevador acabava de se fechar.
Sem pensar, entrou na escada de emergência e desceu correndo.
Alcançou Lucy quando ela já abria a porta do carro.
Segurou-lhe o braço.
— Você não vai me deixar. — disse com a voz grave, segurando-a pelo braço.
Lucy tentou se soltar.
— Me solte, Carl. Você está me machucando.
Ele não respondeu.
Abriu a porta do carro, conduziu-a para dentro com firmeza e fechou a porta. Antes que ela alcançasse a maçaneta, as travas se acionaram.
Carl deu a volta pelo veículo, entrou, ligou o motor e arrancou, fazendo os pneus cantarem.
Carl pegou o outro prato e o colocou no micro-ondas. Lucy se sentou à mesa com o seu e começou a comer. Quando o aparelho apitou, ele retirou o prato fumegante, procurou os talheres, abrindo duas ou três gavetas até encontrá-los, e se sentou ao lado dela.Lucy comia em silêncio.Carl pensou em falar sobre a joia, mas permaneceu calado. Talvez fosse melhor deixá-la terminar de comer.Quando Lucy fez menção de se levantar, ele tocou seu braço. Ela imediatamente baixou os olhos para a mão dele.Um frio percorreu a espinha de Carl, então retirou a mão.— Eu trouxe uma coisa para você. Ontem...Tentava falar, mas não encontrava as palavras certas.— Obrigada, Carl.Foi tudo o que ela disse antes de se afastar da mesa.Carl se levantou apressado, foi até a bancada, pegou a pequena caixa e voltou. Estendeu-a para ela.Lucy a recebeu de sua mão e se virou para subir.— Não vai abrir?Lucy parou imediatamente, virou-se para ele, puxou a fita, retirou a caixa de veludo da embalagem e abriu a ta
Carl bateu na porta da antiga garagem, mas não foi atendido. Lucy não estava ali.Voltou para dentro da casa e subiu a escada. O silêncio continuava o mesmo. Foi até o quarto de hóspedes. Também estava vazio. Seu coração acelerou. Caminhou depressa até o quarto do casal. O cômodo permanecia silencioso. Correu até o closet. As roupas de Lucy ainda estavam ali.— Onde ela foi? — murmurou, passando a mão pelo rosto.Lembrou-se dos pés feridos e imediatamente pensou em Jessi.Claro. Jessi devia ter vindo buscá-la para cuidar dos seus pés. Além disso, lembrava-se de que ela mesma dissera que as duas almoçariam juntas.Carl tirou o celular do bolso, encontrou o contato de Lucy e levou o dedo até o botão de ligação. Desistiu. Ela estava com Jessi, que, com toda certeza, estaria piorando ainda mais a situação entre eles.Abriu o aplicativo de mensagens e escreveu:"Estou em casa. Trouxe almoço para nós. Onde você está?"A mensagem foi entregue. Carl permaneceu olhando para a tela, esperando a
Carl olhou para o prato, desceu até a cozinha e se sentou à bancada. Deu algumas garfadas. Estava com fome, mas não tinha a menor vontade de comer. Jogou o restante no lixo e voltou para o quarto.A luz do quarto de hóspedes estava apagada. O corredor permanecia vazio.Soltou o ar. Depois de escovar os dentes, deitou-se. Sentiu a cama estranhamente vazia. Mesmo exausto, demorou a adormecer.Quando abriu os olhos, ouviu os pássaros cantando.Sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos. A cabeça ainda pesava.Que horas eram?O dia já estava claro.Levantou-se, caminhou até a porta do quarto e percebeu que a casa continuava silenciosa. Tomou um banho, trocou de roupa e seguiu até o quarto de hóspedes.A porta estava entreaberta.Empurrou-a devagar.A cama estava arrumada.Lucy não estava ali.Voltou a olhar para o corredor.Caminhou apressado. Na cozinha também não havia sinal dela, apenas os sapatos jogados no canto, ainda úmidos da chuva.Foi até a porta que dava para a antiga gara
Carl viu Lucy descer do carro. Agora ela mancava mais. Assim que entrou em casa, tirou os sapatos e os jogou em um canto. Foi então que ele viu seus pés, feridos, a pele em carne viva.Acompanhou-a com os olhos enquanto ela seguia em direção à escada. No terceiro degrau, Lucy parou e segurou-se no corrimão. A cabeça pendeu levemente, e Carl se adiantou. Ela ainda tentou dar mais um passo, mas já não encontrou o chão firme sob os pés.Carl a segurou antes que caísse.Os olhos dela estavam perdidos. Os lábios, antes arroxeados pelo frio, ficaram quase brancos. Lucy sentiu a casa girar ao seu redor e o estômago revirar junto com ela.Carl passou um braço sob suas pernas e a pegou no colo. Agora, tão perto, sentiu o cheiro do vinho.Quanto ela havia bebido?Lucy quase não bebia, mas naquela noite havia bebido, e não fora pouco. Ele sentia o cheiro em sua respiração.Levou-a até o quarto e a colocou sobre a cama. A cabeça de Lucy pesava tanto que ela mal conseguia mantê-la erguida. Então u










Último capítulo