O silêncio aqui é espesso.
Não é o silêncio comum da noite, com grilos e o vento nas folhas. É outro tipo — mais denso, como um aviso que paira no ar. Desde que o sol se pôs, algo me aperta o peito. A casa está escura, isolada, com cheiro de madeira antiga e café amanhecido. Estou sozinha. A tia da Felícia foi embora no fim da tarde e só volta amanhã cedo, como sempre faz.
Eu pedi isso. Pedi esse isolamento. Pedi por distância. De Leo. Da família dele. Do escândalo. De tudo que me machucou.