Eu estava encarando o teto quando Matt apareceu na porta, com aquela mesma expressão de quando tenta ser forte e falha miseravelmente. Os olhos dele me procuraram primeiro, depois minha barriga, depois voltaram para mim como se quisessem confirmar que eu ainda estava inteira.
— Você tá bem? — ele perguntou, já chegando perto.
— Eu tô… eu acho. Só tô com medo. Os bebês... — respondi sem rodeios, porque não havia mais espaço pra fingimento naquele quarto que cheirava a álcool e ansiedade.
Matt segurou minha mão com força suficiente para ancorar meu corpo no planeta.
— Eu falei com a médica. Eles estão bem. Mas… — ele engoliu em seco — …estão dando sinais de que podem nascer a qualquer momento. E talvez você precise de uma cesária. Sua pressão está um pouco alta.
Meu coração falhou uma batida inteira.
— E a Cori? Onde ela está?
— A Lucile levou ela pra casa dela. Quis te dar sossego pra não se preocupar. Jesse te mandou lembranças e disse que viria depois ver os bebês.