Depois que levaram o corpo do meu pai para algum lugar onde eu não precisava mais ouvir o barulho das máquinas sendo desligadas, fiquei parada no corredor, sentada num banco duro que cheirava a desinfetante barato. Era como se meu corpo tivesse sido deixado ali antes da minha alma chegar, porque eu me sentia meio atrasada dentro de mim mesma, meio flutuando. Aquele corredor branco não ajudava. As pessoas passavam como vultos cansados, e eu não sabia se queria que alguém parasse pra falar comigo ou se preferia que todos sumissem.
Lydia se sentou devagar ao meu lado, como se tivesse medo de me quebrar com a aproximação. Quando ela tocou meu ombro, o gesto foi tão suave que por um segundo parecia que eu ia desabar só por ter alguém fazendo isso do jeito certo.
— Ele pediu pra entregar isso se você viesse… — ela disse, tirando um envelope da bolsa.
Olhei praquilo como se fosse um bicho que eu não sabia se atacava ou se ignorava. Era um envelope comum, mas parecia pesado demais na