RUSS
O carro está em silêncio, mas não é um silêncio comum. É denso, elétrico. O tipo de silêncio que engole qualquer palavra mal colocada e transforma em faca.
Lucile está ao meu lado, olhando a rua passar pela janela, e tudo o que consigo fazer é apertar mais forte o volante para não olhar demais.
Respiro fundo.
— Obrigado, mais uma vez. — digo, pela terceira vez naquela noite. Minha voz soa mais rouca do que eu pretendia. — Obrigado por ter ficado com Harriet.
Ela me olha de lado,