Vincent
O escritório do meu pai sempre teve um peso. Não só pelo tamanho, pela madeira escura ou pelo cheiro permanente de fumo e silêncio , mas pelo que ele representa. Um trono de veludo e aço onde decisões são feitas, vidas são mudadas… ou encerradas.
Entrei sem pedir licença. Nunca precisei, mas sempre hesitei. A presença dele me impunha algo difícil de descrever. Talvez fosse medo disfarçado de respeito. Ou respeito disfarçado de raiva.
Ele estava ali, como sempre sentado em sua poltrona