Mundo de ficçãoIniciar sessãoCinco anos após ter o coração destruído por Edward, o homem que ela amava na faculdade, Evelyn se tornou uma mulher fria, forte e incapaz de confiar no amor. Enquanto ela tenta manter o passado enterrado, Edward vive consumido pela culpa por tê-la perdido. Quando o destino os coloca frente a frente novamente, antigas feridas voltam a sangrar junto com uma atração que nunca desapareceu. Agora, entre segredos, mágoas e sentimentos intensos, eles precisarão decidir se o amor merece uma segunda chance ou se algumas cicatrizes nunca podem ser curadas.
Ler maisEvelyn
Estou no penúltimo ano em Stanford, pela primeira vez desde que entrei ali sem saber exatamente quem eu era ou aonde queria chegar, eu me sinto feliz. Inteira. Como se as coisas finalmente estivessem se encaixando do jeito certo. Foi um ano incrível, daqueles que a gente guarda com cuidado na memória porque sabe que vai sentir saudade depois. Eu nunca imaginei que fosse me interessar tanto por marketing. Nunca. Quando escolhi o curso, parecia uma decisão prática, quase fria. Mas, em algum ponto do caminho, tudo mudou. As ideias começaram a pulsar, os projetos deixaram de ser só trabalhos e passaram a ser desafios que eu queria vencer. Criar estratégias, pensar em narrativas, construir marcas, essas coisas acenderam algo em mim. Talvez por isso eu tenha tido coragem de pedir um estágio para o Owen, o melhor amigo do meu irmão e meu melhor amigo também, se eu for honesta. O dono da empresa. Um pacote inteiro de intimidação que, ainda assim, não me fez recuar. A System virou mais do que um estágio, se tornou um lugar onde eu podia colocar a mão na massa, errar, aprender e crescer. Criar sempre foi a minha coisa desde pequena. Eu até pensei em estudar arte. Artes visuais, talvez. Mas eu sei reconhecer meus limites, não tenho a veia artística para aquele tipo de criação. Não para pintar ou esculpir. Eu sou mais do fazer estratégico do que do criar puro, ainda assim, arte me atravessa. Eu amo tudo que envolve arte. Museus, galerias, feiras de artesanato e brechós. Principalmente antiquários, e os que têm antiguidades são a minha perdição. Objetos com história me fascinam, coisas que já viveram antes de mim, que passaram por outras mãos, outros tempos. Eu amo antiguidades. Tanto que comecei, quase sem perceber, uma pequena coleção de máquinas fotográficas antigas. Elas ficam alinhadas na prateleira do meu quarto, como pequenos troféus silenciosos. Sorrio ao pensar que, quando tiver meu próprio apartamento, essa coleção vai crescer ainda mais. A fotografia é um hobby, um amor tranquilo, nada além disso, mas também nada menor. Eu gosto de observar, de capturar detalhes, de congelar momentos que talvez ninguém mais note. Suspiro e sorrio de novo, porque um dos grandes responsáveis por esse ano ser ainda mais incrível está dormindo pesado ao meu lado. Viro o rosto devagar e o observo. Ele respira fundo, tranquilo, completamente entregue ao sono, com a boca entreaberta e um fio de baba no canto dos lábios. E, ainda assim, o infeliz consegue ficar bonito. Reviro os olhos, mas o sorriso permanece. Tem coisas na vida que simplesmente não são justas. Me sinto sortuda, ridiculamente sortuda por namorar o cara por quem sou a fim desde o primeiro ano da faculdade. Edward Spencer reluziu quando eu o vi, e não é força de expressão. Ele realmente parece brilhar no meio do campus, como se estivesse sempre alguns tons acima do resto do mundo. Bonito demais, confiante demais e distante demais. Inalcançável. Não tenho uma baixa autoestima, isso eu deixei no passado, enterrado junto com os anos difíceis do ensino médio. A terapia serviu para alguma coisa, não me diminuo mais. Gosto do meu jeito esquisito, das minhas referências estranhas e do meu entusiasmo exagerado. Eu me amo assim. Edward era inalcançável por um motivo simples: ele tinha namorada. Megan. Os dois formavam um casal quase irritantemente bonito, daqueles que combinam até andando lado a lado. Eu nunca cheguei perto, nunca mesmo, homem comprometido é linha vermelha. Achar bonito? Ok. De longe. Bem longe. Até eles terminarem no meio daquele ano. Eu nem sabia direito o que tinha acontecido. Um mês depois, estava na biblioteca com o rosto afundado em um livro, quando uma sombra parou ao meu lado. — Você está lendo isso mesmo? — ele perguntou. Levantei o olhar e lá estava Edward. Perto demais. Real demais. Respondi meio defensiva, preparada para qualquer coisa, mas ele começou a falar sobre livros, autores e histórias que eu jamais imaginaria que ele conhecesse. Meu cérebro demorou um tempinho para acompanhar. E então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele me convidou para um café. Assim. Do nada. Por alguns segundos, eu realmente pensei que era uma piada, um daqueles roteiros idiotas de filme em que os populares fazem uma aposta para zoar a garota nerd. Não que eu seja nerd… na verdade eu sou. Só não carrego isso como um rótulo pesado. Mesmo assim, eu fui. E o café foi incrível, depois veio um encontro. Depois, outro. E então, nos beijamos na porta do dormitório, com as costas encostadas na madeira fria e o mundo inteiro parecendo pequeno demais para o que estava acontecendo entre nós. Três meses. Estamos namorando há três meses. E são, sem exagero, os melhores meses da minha vida. Edward não é meu primeiro namorado. Aos dezesseis, tive um durante as férias de verão, um vizinho dos meus avós que beijava mal, batia os dentes nos meus todas as vezes, e mesmo assim eu achei que aquilo fosse o auge do romance. Não era. Com Edward, tudo é diferente. Tudo encaixa. Cada toque parece saber exatamente onde ficar. Cada beijo parece um diálogo silencioso entre partes de mim que eu nem sabia que existiam. É como se algo que sempre esteve faltando finalmente tivesse encontrado o lugar certo. Ele me faz sentir segura, amada e desejada. Nunca quis alguém como eu quero Edward. Quando contei que era virgem, minha voz saiu baixa e cuidadosa, como se fosse uma confissão perigosa. Ele não fez piada, não pressionou e não mudou o jeito de me olhar, só foi atencioso e paciente. Disse que esperaria o tempo que fosse necessário. Eu soube que estava fazendo a escolha certa quando decidi que minha primeira vez seria com ele. E foi incrível, inesquecível e intensa e doce ao mesmo tempo. Do tipo que fica gravada na pele e na memória. Descobri, meio surpresa, que gosto muito de sexo. Edward gosta de dizer, rindo, que criou um monstrinho. Sinto o braço dele se mover de repente, me envolvendo pela cintura. Em um segundo estou sentada, no outro estou sendo puxada de volta para a cama. Solto um gritinho de susto misturado com riso, e o colchão afunda sob o nosso peso. Ele ri também, aquela risada baixa e preguiçosa que é a minha perdição. — Por que você não me acordou? — ele pergunta, sua voz ainda carregada de sono. Eu sorrio, passando os dedos de leve em seu peito. — Porque você fica insuportavelmente bonito dormindo — respondo. — E você fica muito linda usando a minha camiseta — ele diz, com a voz rouca, carregada daquele tom preguiçoso que sempre me desmonta. Olho para baixo quase por reflexo. A camiseta dele cai solta no meu corpo, comprida demais, escorregando por um ombro. Sinto o calor subir pelo rosto. — Edward — murmuro, envergonhada, puxando o tecido como se fosse adiantar alguma coisa. Ele ri baixinho, mas não me dá tempo de me esconder. Num movimento rápido e fluido, ele se inclina e fica por cima de mim, apoiando o peso com cuidado, como se o corpo dele soubesse exatamente até onde ir. O colchão afunda mais uma vez e meu coração dispara, ainda não acostumado com a proximidade, mesmo depois de tudo. Edward abaixa o rosto e me beija. Um beijo lento e suave, que começa nos lábios e se espalha pelo meu corpo inteiro. Ainda meio sonolenta, eu correspondo, mas logo me afasto alguns centímetros, rindo. — Eu acabei de acordar — digo, fazendo uma careta exagerada. — Nem escovei os dentes ainda. Ele se afasta o suficiente para me olhar e então gargalha. Uma gargalhada aberta, gostosa, que vibra no peito dele e passa direto para o meu. — E daí? — ele responde antes de descer os lábios para o meu pescoço. Sinto o beijo ali, quente e demorado, deixando minha pele toda arrepiada. — Eu amo o seu cheiro — ele sussurra, inalando fundo contra a curva do meu ombro, como se eu fosse o ar que ele precisa para viver. — Assim, natural, toda minha.Evelyn 5 anos depois...Estou irritada, não, estou furiosa. Meu estômago revira como se eu tivesse engolido um enxame de abelhas raivosas, e tudo o que não quero nesta noite é ter que encarar Edward Spencer mais uma vez. Por muito tempo, eu o tolerei, ou melhor, desprezei-o e fugi dele como se ele fosse uma praga contagiosa sempre que ele aparecia na System para as reuniões chatas de fornecedores ou em qualquer evento que envolvia Estela. Ah, Estela…É uma droga absoluta que minha nova melhor amiga, esposa do meu melhor amigo Owen, seja prima do homem que estraçalhou meu coração em pedaços afiados, como se eu fosse uma personagem secundária em um filme de super-heróis que sempre leva o pior golpe.Ele acha mesmo que, em algum momento, vou esquecer que ele é um canalha traidor?Como se o tempo fosse uma borracha mágica que apaga traições e mentiras. E o buraco que ele deixou no meu coração? E toda dor que eu senti? E ter que lidar com uma dor ainda maior do que ser traída e usada, so
EdwardEstou parado na frente da porta do dormitório dela, com o coração batendo tão forte que parece que vai explodir no peito. O corredor é frio, iluminado por lâmpadas fluorescentes que piscam de vez em quando, como se o prédio inteiro soubesse da bagunça que eu causei. Eu grito o nome dela, minha voz ecoando pelas paredes vazias.— Evelyn! Por favor, abre a porta!Bato com o punho fechado, o som seco reverberando, meu braço doendo do impacto, mas eu não paro. Eu preciso vê-la. Preciso explicar. Meu nariz ainda lateja do soco que ela me deu na festa, o sangue seco na camisa que eu nem troquei é uma lembrança física da merda que eu fiz. Eu estou destruído, mas nada comparado ao que eu causei nela.A porta se abre de repente e Samantha surge, com o rosto vermelho de raiva e os olhos flamejantes.— Dá o fora daqui, Edward! Sai agora!Eu não recuo, planto meus pés no chão, o peito subindo e descendo rapidamente.— Eu sei que a Evelyn tá aí. Eu não saio enquanto não falar com ela.
EdwardEstou destruído no meu apartamento, o lugar que antes parecia um refúgio, agora sinto como uma prisão fria e vazia. O sofá onde eu e Evelyn nos aninhávamos para assistir a filmes idiotas está ali, intocado, me lembrando tudo que eu perdi. Meu celular está na mesa de centro, a tela apagada depois de dezenas de mensagens não enviadas e chamadas que caem direto na caixa postal. Evelyn me bloqueou em tudo, mensagens, redes, tudo. Ela desapareceu. Sumiu do mapa depois da festa, e a culpa me corrói por dentro como ácido, queimando cada pensamento, cada respiração. Eu me culpo por ter beijado Megan, ou tê-la deixado me beijar, por ter ouvido as palavras dela, por ter pensado, nem que tenha sido por um segundo, que ainda sentia algo por ela. Megan não significa nada. Nada. Como eu pude ser tão cego? Tão burro para cair na armadilha dela de novo?Evelyn disse que me amava. Aquelas palavras saíram dela com tanta sinceridade e tão vulneráveis, depois de eu cuidar dela naquela noite. E eu?
Evelyn Estou sentada no sofá do apartamento de Owen, com as pernas dobradas debaixo de mim e uma xícara de chá morno nas mãos que eu nem toquei. O lugar é aconchegante, com as paredes cheias de livros de tecnologia e quadros abstratos. Meus pais estão aqui: Sean, meu pai, encostado na janela olhando a rua movimentada lá embaixo, com as mãos nos bolsos da calça jeans velha que ele sempre usa; Sierra, minha mãe, sentada ao meu lado, a mão na minha perna como se quisesse me ancorar no lugar. Clark está na poltrona oposta, com os braços cruzados e o rosto sério como sempre quando se trata de proteger a “pirralha”. Owen circula pela cozinha aberta, fingindo arrumar algo, mas eu sei que está só nos vigiando. Eu me esforço para mostrar que estou bem. Sorrio quando eles olham para mim, mas por dentro é só dor. Em dois dias, minha vida foi virada de cabeça para baixo. O amor que eu achava real se revelou uma mentira cruel, dilacerando meu coração em pedaços que ainda sangram toda vez que
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