Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois de muito sofrer, quando não tinha mais nada a perder a não ser a própria vida, Clarice foi socorrida por um estranho. Desde então, sua vida deu uma guinada e ela se tornou outra pessoa. Durante cinco anos, estudou, treinou e tornou-se o braço direito de seu salvador. A Firma que Cornélio Dietrich dirigia, visava, principalmente, proteger e investigar roubos de patentes dentro das instituições e empresas. Como braço direito de Cornélio, Clarice viajava para os principais pólos financeiros do mundo e foi assim que ela conheceu Clayton Denning. O homem parecia um fantasma. Estava em todos os eventos e onde estava, sempre acontecia alguma coisa estranha. Os dois começaram a se encontrar e a paixão surgiu forte entre eles. Seus encontros inesperados, sempre em quartos de hotel e se ocultando nas sombras, produziram momentos incríveis que deram fruto, mas o mundo de perigo em que viviam, tornou a vida deles muito arriscada e sem lugar para um bebê. Até que não puderam mais disfarçar que se atraíam como um ímã e precisavam sossegar para cuidar da família. Porém, tramas do passado e poderes do submundo, parecem não os querer largar. Sem contar com os segredos que existiam entre a vida dos dois.
Ler maisChovia torrencialmente e Clarice se abrigou debaixo de uma ponte. Tentava não se molhar, o que era quase impossível. O vento frio castigava seu corpo magro, vestido com roupas simples e que não a protegiam dos respingos da chuva de vento. Tremia, sentindo saudades de casa, da cama quentinha e do carinho de sua mãe que a cobria toda noite.
— Isso tudo passou e tem que ficar no esquecimento, Clarice. Sua mãe morreu e seu pai colocou aquela mulher dentro de casa e ainda teve um filho com ela. — falou consigo mesma. A mulher era sua madrasta, Noélia, que a expulsou de casa na primeira oportunidade. Aproveitando que Ewerton, o pai, estava viajando a negócios e com a desculpa de passear, levou a adolescente para um município distante. Parou o carro em um posto de gasolina e pediu que ela fosse à loja de conveniência para comprar um lanche para elas. Assim que Clarice entrou na loja, Noélia partiu. A menina viu o carro saindo e correu atrás, sem prestar atenção na estrada movimentada, sendo atropelada. Ficou internada no hospital da cidadezinha, em coma, por duas semanas e quando acordou, estava desmemoriada. O hospital pesquisou, mas nem a polícia descobriu quem era a jovem. Seus dados pareciam ter sido apagados dos registros. Passou mais quatro meses internada para se recuperar das fraturas. Médicos e funcionários do hospital a trataram como uma familiar, pois a menina era educada e carinhosa, absorvendo cada atenção e carinho que recebia. Porém, ela não podia continuar no hospital para sempre e foi acolhida por uma dama da sociedade. Os médicos disseram que ela recuperaria a memória, mas três anos se passaram, até que ela começou a ter lampejos de seu passado. Lembrou seu nome e aniversário, justamente quando completava 18 anos. Sua vida naquela casa não era de membro da família, mas de empregada. Não recebia salário, pois a patroa dizia que era por conta da hospedagem, comida, roupa e educação. Na verdade, suas roupas eram dadas pela ação social da igreja local, estudava na escola pública e dormia no quarto da empregada. Espirrou, percebendo que um resfriado se aproximava e não podia ficar doente, justo agora, que recuperava a memória. Foi uma maneira cruel de ter sua vida de volta e lembrar do abandono que sofreu. A voz arrastada de um dos convidados, assim como o cheiro de bebida que exalava dele e de suas roupas, intoxicaram o ambiente e deixaram Clarice enjoada. Já era tarde, o jantar que a patroa ofereceu havia terminado, mas aquele indivíduo continuava bebendo sem parecer disposto a ir embora. Clarice precisou limpar e arrumar as salas e ele não tirava os olhos dela, até que, em um instante que ficaram sozinhos depois que todos se foram e a patroa se ausentou, ele aproveitou e a atacou. Ela tentou de todas as formas, livrar-se dele, mas ele a imprensou de frente para a parede e conforme ela lutava, ele bateu fortemente a sua cabeça contra a dureza da alvenaria pintada. A pancada a deixou tonta e além da dor, sentiu o sangue escorrer por sua tez. — Martin, o que você pensa que está fazendo? — a voz esganiçada da patroa gritando da escada, o fez parar. O som agudo, também despertou Clarice, que aproveitou o susto do homem, empurrou-o, conseguindo se livrar e correr. Não percebeu para onde ia e nem a chuva pesada que caía do lado de fora, correu para longe daquela casa, com suas memórias voltando no processo. Se perguntassem como ela chegou ao lugar em que estava; debaixo da ponte, não saberia responder. Foram tantas imagens, palavras e acontecimentos que vieram à sua mente, atordoando-a, que confundiu sua percepção do caminho. Acabou dormindo de exaustão, mas logo acordou com a andança de um cachorro que foi se esconder no mesmo lugar. A chuva cessou. Deixando o lugar, ela subiu até a estrada e seguiu andando por ela, afastando-se cada vez mais do lugar de onde veio. Andava praticamente se arrastando e abraçando o corpo com os braços. O frio era intenso e por conta de suas roupas molhadas, sentia-se adoecer. Cornélio Dietrich estava voltando de uma visita a um velho amigo, pensando nas coisas que teria que fazer para restaurar a propriedade que havia adquirido. Pretendia ampliar sua firma de segurança, formando uma academia de treinamento altamente especializada. Já era madrugada e o carro seguia silenciosamente pela estrada, o motorista prestava atenção dobrada no trajeto por causa da pista molhada. Os farois fortes iluminavam bem o caminho e Cornélio vislumbrou uma silhueta que parecia mais se arrastar, do que andar. — Pare o carro, Hector. Vamos ver se precisa de ajuda. — Parece uma jovem e está molhada e suja de lama. O carro parou na frente dela, que sem qualquer percepção do que estava a sua volta, bateu no carro e caiu. — Moça, moça… — abaixando-se Hector, chamou a jovem, mas ela desmaiou. — Coloque-a no carro, vamos levá-la para o hospital. — Sim, senhor. O motorista e segurança, pegou uma manta que sempre deixava no carro do homem imponente que beirava os cinquenta anos, enrolou a jovem, colocou-a no banco de trás do carro e os dois foram na frente. Chegaram ao hospital da cidade vizinha de onde Clarice morava e ela foi prontamente atendida, pois todos reconheciam o homem importante que a levou. Ele não soube dizer nada sobre a jovem, apenas que a encontrou na estrada, mas se responsabilizou pela internação e deixou seu endereço e telefone para o contactarem caso necessário. Esperou no corredor até o médico vir dar notícias. Assim que ele passou pela porta, Cornélio ergueu-se do assento e perguntou: — Como ela está, doutor? — Com um princípio de pneumonia e alguns ferimentos leves, mas nada preocupante. Ela acordou e nos forneceu seus dados, agora está medicada e dormindo em um de nossos leitos. — Que ótimo. Então, vou para casa e volto amanhã, cuide bem dela, doutor, arcarei com as despesas. — Sim, Sr. Dietrich. O senhor ficou responsável por ela? Ela pediu para não contactar a família, disse que a anos não os vê. — Sem problemas, verei isso depois e a levarei quando tiver alta. — Está certo, bom descanso, então.Segurando sua mão, Clayton a ajudou a levantar-se e os dois correram para o mar, deixando Vitor com o mais provável novo casal. Naquele trecho de praia não tinha ondas e os dois entraram correndo, sentindo a água quase morna e logo se jogaram. Clayton a levou para uma área onde os dois ficaram cobertos até o peito e começou a beijá-la. Estavam a uma distância da praia em que podiam ser vistos, porém, não o que estavam fazendo. — Você não perde uma oportunidade de me atacar com essas suas mãos grandes, não é? — Quem manda ser tão gostosa? confesse, você adora!— É verdade, fui conquistada pela sua safadeza. — Nossa primeira vez foi bem tórrida e eu sinto muito que tenha sido daquela forma.— Não foi como imaginei a minha primeira vez, mas apesar do incômodo que tive depois, não nego que gostei muito.— Gostou é…? — falou e beijou seu pescoço — hum, tá salgadinha…— Você me deixa louca, sabia? Acho melhor sairmos.— Acho melhor você rodear meus quadris com as pernas.Ela se assusto
Em seguida, vocês sabem o que aconteceu. Infelizmente para Kalymnus e Maritsa, Gusmão estava tão furioso que brigou com sua amante. Maritsa controlava com pulso firme, a máfia da família. Klein, como filho ilegítimo, pensou que estava no controle ou iria assumir, pois achava que as ordens de serviço vinham de seu pai, mas na verdade, era tudo dirigido por Maritsa.“ Quando ela achou que Gusmão estava insistindo demais no espólio, cometendo uma série de desatinos, ela o chamou a atenção e ele não gostou, pois apesar de se amarem e estarem juntos há muito tempo, cada um tinha sua personalidade forte e controlava um negócio poderoso do submundo.“ Essa briga e afastamento, foi a verdadeira derrocada deles, deixaram pontas soltas e fios conectados a dark web que Clarice descobriu. Agora estão todos presos e os capos que seguiam Maritsa, também. Todos utilizavam os imóveis de Clarice, com a anuência de Gusmão, que além de servir de testa de ferro pelos imóveis, fazia todo o transporte das
Clayton ficou calado e pensativo por um instante, digerindo a informação e só então, comentou:— Isso é realmente extraordinário, não costumo deixar rastro ou pontas soltas.— Realmente, foi muito difícil chegar até aqui, mas foi muito útil. Nós não tínhamos uma direção para seguir e quando cheguei e conversei com Cornélio, ele me mostrou tudo que tinha e eu mostrei o que nós tínhamos para ele e assim chegamos a um denominador comum. — Esse denominador seria a família de Emílio Dietrich? — perguntou Clarice.— Sim, mas cruzamos com um caso paralelo, você Clarice. A necessidade deles de conquistar o seu espólio misturou-se com o sequestro das modelos e assim, foi difícil encontrarmos uma direção única.Clarice estranhou, para ela, estava tudo interligado. Pois os sequestros e leilões praticados por Emílio e Klein, eram feitos nos imóveis de seu espólio, então, ela pensou que era o grande interesse deles, nela, poder usufruir dos imóveis sem ter a preocupação dela aparecer e reivindica
Clarice teclava rapidamente em seu tablet. Juntou todas as informações em uma pasta, enviou para Cornélio e para o delegado da polícia federal que cuidava do caso. Tinham criado um canal seguro para comunicação, preparado por Clayton, que entendia bem de segurança cibernética.Instalaram uma rede de firewalls e seria praticamente impossível passar por eles. Quando terminou a operação, ela fechou o tablet e os olhos, recostou-se na poltrona, suspirando aliviada.Não concebia o fato de seu próprio pai estar a traindo. Questionava se também foi ideia dele, Noélia ter sumido com ela. — Será que tudo que ele me contou foi mentira?Clayton olhou para ela sem saber o que dizer para consolá-la.— Não pense demais, ok?— É difícil, desde que vi aquelas fotos, não consigo parar de pensar no quanto eles foram sórdidos. Quem faz uma coisa assim, não tem sentimentos pelos outros. Eles enganaram todos, o tempo todo.— Todos não, Emilio sabia e no final, Cornélio perseguiu a pessoa errada, mas que










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