Capítulo 5

Evelyn

O percurso de volta é um borrão. O enjoo que eu vinha segurando desde o restaurante explode de repente em uma onda violenta que me faz apertar a boca com a mão. Edward percebe na hora, eu vejo pelo canto do olho como ele aperta o volante e o maxilar trava de preocupação. Ele encosta no primeiro posto de gasolina que encontra, um lugar iluminado por lâmpadas fluorescentes amarelas, com cheiro de diesel e café requentado.

— Evelyn, amor... você tá bem? — pergunta ele, já soltando o cinto de segurança.

Eu não respondo, simplesmente saio tropeçando do carro, correndo para o banheiro feminino, e mal chego ao vaso antes de vomitar tudo. O gosto amargo sobe pela garganta e meus olhos lacrimejam, então me apoio na parede fria de azulejo, tremendo inteira. Meu corpo dói, a cabeça lateja, e eu me sinto péssima. Péssima por estragar a noite, por parecer fraca, por não conseguir nem fingir que está tudo bem.

Edward está esperando do lado de fora quando saio, encostado na parede, com os braços cruzados e o rosto sério.

— A gente vai para o hospital agora — ele diz, sem espaço para discussão.

— Não — respondo rápido, limpando a boca com as costas da mão. — Eu vou ao médico na semana que vem, prometo. Só... só preciso de algo pro estômago e um remédio pra dor de cabeça. Tem uma farmácia aqui ao lado.

Ele suspira, mas não briga. Me leva até lá de mãos dadas, como se eu pudesse desabar a qualquer momento.

Na farmácia, o ar-condicionado gelado me deixa arrepiada. Eu pego um antiácido, um analgésico, uma água e... meus olhos param nos testes de gravidez expostos na prateleira ao lado do caixa. Aquela fileira colorida com promessa de resposta. Por desencargo de consciência, só por isso, eu pego dois. Claro que vai dar negativo. Eu uso adesivo direitinho, nunca falhei. É só atraso, estresse, besteira, meu ciclo é meio esquisito mesmo. A funcionária do caixa soma tudo devagar demais, digitando cada item como se tivesse o dia inteiro. Eu sinto o suor frio na nuca e meu coração acelerado por nada.

Assim que ela entrega a sacola, eu enfio tudo na bolsa sem conferir e me viro, dando de cara com Edward. Ele está bem aqui, dentro da farmácia, com os braços cruzados enquanto me espera.

— Eu falei pra você esperar no carro! Era rápido — digo, minha voz saindo mais aguda do que eu queria.

Ele ergue uma sobrancelha, mas o tom é suave.

— Você demorou. E eu não ia te deixar sozinha. — Ele me olha de cima a baixo, preocupado. — Você tá pálida pra caramba. Tá bem mesmo?

— Tô bem — minto, puxando-o pela manga para fora. — Vamos embora.

No carro, ele abre a porta do passageiro para mim como sempre faz, um gesto automático que me derrete mesmo quando estou um caco. Eu entro e fecho os olhos por um segundo, respirando fundo.

— É melhor você me deixar no dormitório — digo, baixinho. — Eu já estraguei a noite inteira.

Ele solta um riso baixo e quente que enche o carro.

— De jeito nenhum. Você vai dormir no meu apartamento. Eu vou ficar de olho em você a noite toda, cuidar de você.

Eu viro o rosto para ele, sentindo um calor bom subir pelo meu peito apesar de tudo. O cuidado dele, o jeito como ele não aceita me deixar sozinha... isso me toca fundo. Me faz sentir vista, protegida. Eu dou pequeno sorriso sincero.

— Obrigada. Mas você não precisa se preocupar tanto.

Ele liga o carro, mas antes de sair, se inclina para mim e coloca a mão no meu rosto.

— É claro que preciso. Você é a minha namorada. Eu tô fazendo o papel de namorado direitinho.

Ele se aproxima mais e dá um beijo suave na minha bochecha, demorado e quente. Meu coração acelera, e as palavras saem antes que eu consiga segurar:

— Eu te amo.

O silêncio cai por um segundo. Eu o amo. Amo o jeito como ele cuida de mim, como ri das minhas zoações, como me faz sentir que sou importante. Ele não responde com palavras, em vez disso, faz um carinho lento no meu rosto, seu polegar traçando minha bochecha enquanto seus olhos fixam nos meus com uma intensidade que diz mais do que qualquer “eu também”. Só então sai devagar do estacionamento.

Eu encosto a cabeça no vidro frio, olhando as luzes da cidade passarem. Não me arrependo do que disse. E o carinho dele, o cuidado, o jeito como me segura sem me sufocar... tudo isso me faz acreditar que ele sente algo perto disso. Perto o suficiente para me dar esperança. Pelo menos por essa noite, com o estômago ainda embrulhado e o coração batendo forte, eu escolho acreditar nisso.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App