Um CEO em busca do perdão
Um CEO em busca do perdão
Por: Laura Ivanish
Prólogo

Evelyn

Estou no penúltimo ano em Stanford, pela primeira vez desde que entrei ali sem saber exatamente quem eu era ou aonde queria chegar, eu me sinto feliz. Inteira. Como se as coisas finalmente estivessem se encaixando do jeito certo.

Foi um ano incrível, daqueles que a gente guarda com cuidado na memória porque sabe que vai sentir saudade depois.

Eu nunca imaginei que fosse me interessar tanto por marketing. Nunca. Quando escolhi o curso, parecia uma decisão prática, quase fria. Mas, em algum ponto do caminho, tudo mudou. As ideias começaram a pulsar, os projetos deixaram de ser só trabalhos e passaram a ser desafios que eu queria vencer. Criar estratégias, pensar em narrativas, construir marcas, essas coisas acenderam algo em mim.

Talvez por isso eu tenha tido coragem de pedir um estágio para o Owen, o melhor amigo do meu irmão e meu melhor amigo também, se eu for honesta. O dono da empresa. Um pacote inteiro de intimidação que, ainda assim, não me fez recuar. A System virou mais do que um estágio, se tornou um lugar onde eu podia colocar a mão na massa, errar, aprender e crescer.

Criar sempre foi a minha coisa desde pequena. Eu até pensei em estudar arte. Artes visuais, talvez. Mas eu sei reconhecer meus limites, não tenho a veia artística para aquele tipo de criação. Não para pintar ou esculpir. Eu sou mais do fazer estratégico do que do criar puro, ainda assim, arte me atravessa. Eu amo tudo que envolve arte. Museus, galerias, feiras de artesanato e brechós. Principalmente antiquários, e os que têm antiguidades são a minha perdição. Objetos com história me fascinam, coisas que já viveram antes de mim, que passaram por outras mãos, outros tempos. Eu amo antiguidades. Tanto que comecei, quase sem perceber, uma pequena coleção de máquinas fotográficas antigas. Elas ficam alinhadas na prateleira do meu quarto, como pequenos troféus silenciosos.

Sorrio ao pensar que, quando tiver meu próprio apartamento, essa coleção vai crescer ainda mais.

A fotografia é um hobby, um amor tranquilo, nada além disso, mas também nada menor. Eu gosto de observar, de capturar detalhes, de congelar momentos que talvez ninguém mais note.

Suspiro e sorrio de novo, porque um dos grandes responsáveis por esse ano ser ainda mais incrível está dormindo pesado ao meu lado. Viro o rosto devagar e o observo. Ele respira fundo, tranquilo, completamente entregue ao sono, com a boca entreaberta e um fio de baba no canto dos lábios. E, ainda assim, o infeliz consegue ficar bonito.

Reviro os olhos, mas o sorriso permanece.

Tem coisas na vida que simplesmente não são justas. Me sinto sortuda, ridiculamente sortuda por namorar o cara por quem sou a fim desde o primeiro ano da faculdade.

Edward Spencer reluziu quando eu o vi, e não é força de expressão. Ele realmente parece brilhar no meio do campus, como se estivesse sempre alguns tons acima do resto do mundo. Bonito demais, confiante demais e distante demais. Inalcançável.

Não tenho uma baixa autoestima, isso eu deixei no passado, enterrado junto com os anos difíceis do ensino médio. A terapia serviu para alguma coisa, não me diminuo mais. Gosto do meu jeito esquisito, das minhas referências estranhas e do meu entusiasmo exagerado. Eu me amo assim.

Edward era inalcançável por um motivo simples: ele tinha namorada. Megan.

Os dois formavam um casal quase irritantemente bonito, daqueles que combinam até andando lado a lado. Eu nunca cheguei perto, nunca mesmo, homem comprometido é linha vermelha. Achar bonito? Ok. De longe. Bem longe.

Até eles terminarem no meio daquele ano. Eu nem sabia direito o que tinha acontecido.

Um mês depois, estava na biblioteca com o rosto afundado em um livro, quando uma sombra parou ao meu lado.

— Você está lendo isso mesmo? — ele perguntou.

Levantei o olhar e lá estava Edward. Perto demais. Real demais.

Respondi meio defensiva, preparada para qualquer coisa, mas ele começou a falar sobre livros, autores e histórias que eu jamais imaginaria que ele conhecesse. Meu cérebro demorou um tempinho para acompanhar. E então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele me convidou para um café. Assim. Do nada.

Por alguns segundos, eu realmente pensei que era uma piada, um daqueles roteiros idiotas de filme em que os populares fazem uma aposta para zoar a garota nerd. Não que eu seja nerd… na verdade eu sou. Só não carrego isso como um rótulo pesado.

Mesmo assim, eu fui. E o café foi incrível, depois veio um encontro. Depois, outro. E então, nos beijamos na porta do dormitório, com as costas encostadas na madeira fria e o mundo inteiro parecendo pequeno demais para o que estava acontecendo entre nós.

Três meses.

Estamos namorando há três meses. E são, sem exagero, os melhores meses da minha vida.

Edward não é meu primeiro namorado. Aos dezesseis, tive um durante as férias de verão, um vizinho dos meus avós que beijava mal, batia os dentes nos meus todas as vezes, e mesmo assim eu achei que aquilo fosse o auge do romance.

Não era.

Com Edward, tudo é diferente. Tudo encaixa. Cada toque parece saber exatamente onde ficar. Cada beijo parece um diálogo silencioso entre partes de mim que eu nem sabia que existiam. É como se algo que sempre esteve faltando finalmente tivesse encontrado o lugar certo.

Ele me faz sentir segura, amada e desejada.

Nunca quis alguém como eu quero Edward.

Quando contei que era virgem, minha voz saiu baixa e cuidadosa, como se fosse uma confissão perigosa. Ele não fez piada, não pressionou e não mudou o jeito de me olhar, só foi atencioso e paciente. Disse que esperaria o tempo que fosse necessário.

Eu soube que estava fazendo a escolha certa quando decidi que minha primeira vez seria com ele. E foi incrível, inesquecível e intensa e doce ao mesmo tempo. Do tipo que fica gravada na pele e na memória.

Descobri, meio surpresa, que gosto muito de sexo.

Edward gosta de dizer, rindo, que criou um monstrinho.

Sinto o braço dele se mover de repente, me envolvendo pela cintura. Em um segundo estou sentada, no outro estou sendo puxada de volta para a cama. Solto um gritinho de susto misturado com riso, e o colchão afunda sob o nosso peso.

Ele ri também, aquela risada baixa e preguiçosa que é a minha perdição.

— Por que você não me acordou? — ele pergunta, sua voz ainda carregada de sono.

Eu sorrio, passando os dedos de leve em seu peito.

— Porque você fica insuportavelmente bonito dormindo — respondo.

— E você fica muito linda usando a minha camiseta — ele diz, com a voz rouca, carregada daquele tom preguiçoso que sempre me desmonta.

Olho para baixo quase por reflexo. A camiseta dele cai solta no meu corpo, comprida demais, escorregando por um ombro. Sinto o calor subir pelo rosto.

— Edward — murmuro, envergonhada, puxando o tecido como se fosse adiantar alguma coisa.

Ele ri baixinho, mas não me dá tempo de me esconder. Num movimento rápido e fluido, ele se inclina e fica por cima de mim, apoiando o peso com cuidado, como se o corpo dele soubesse exatamente até onde ir. O colchão afunda mais uma vez e meu coração dispara, ainda não acostumado com a proximidade, mesmo depois de tudo.

Edward abaixa o rosto e me beija. Um beijo lento e suave, que começa nos lábios e se espalha pelo meu corpo inteiro. Ainda meio sonolenta, eu correspondo, mas logo me afasto alguns centímetros, rindo.

— Eu acabei de acordar — digo, fazendo uma careta exagerada. — Nem escovei os dentes ainda.

Ele se afasta o suficiente para me olhar e então gargalha. Uma gargalhada aberta, gostosa, que vibra no peito dele e passa direto para o meu.

— E daí? — ele responde antes de descer os lábios para o meu pescoço.

Sinto o beijo ali, quente e demorado, deixando minha pele toda arrepiada.

— Eu amo o seu cheiro — ele sussurra, inalando fundo contra a curva do meu ombro, como se eu fosse o ar que ele precisa para viver. — Assim, natural, toda minha.

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