JÚLIA
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Tudo começou a acontecer de forma automática, como se meu corpo estivesse apenas acompanhando os eventos enquanto minha mente tentava, em vão, organizar o caos.
Não era apenas a quantidade absurda de coisas que haviam acontecido em poucas horas, mas o efeito cumulativo de todas elas. Cada revelação, cada discussão, cada decisão tomada sem que eu tivesse tempo de respirar entre uma e outra.
Apesar de tudo.
Apesar do transtorno.
Apesar do desespero constante que eu lutava para esconder atrás de uma postura firme.
Algo bom finalmente havia acontecido.
A descoberta de que Carolina havia me enganado ainda queimava dentro de mim como uma ferida aberta. Não era só a mentira em si, mas o fato de eu ter confiado, de ter acreditado que alguém estava ao meu lado quando, na verdade, havia interesses ocultos e jogos que eu sequer compreendia totalmente. Aquilo abalou minha noção de segurança de um jeito profundo, quase infantil.
Mas, no meio desse vendaval, algo mudou.
Pela primeira vez