O dia havia escorrido por entre meus dedos sem que eu percebesse.
Ordens, ligações, decisões que afetariam destinos inteiros. Quando o silêncio finalmente se impôs, percebi algo básico, quase humilhante para alguém acostumado a controlar tudo,eu não havia comido. E, consequentemente, Júlia também não.
A irritação comigo mesmo foi imediata.
Voltei ao harém com passos firmes e dei ordens claras para que uma das servas a levasse para um dos salões menores. Queria que ela fosse alimentada longe das outras concubinas, não por favoritismo explícito, mas por proteção.
O ambiente ali podia ser tão venenoso quanto silencioso, e Júlia ainda não conhecia todas as regras não ditas daquele lugar.
Depois disso, segui para comer.
Me sentei à mesa longa demais para uma só pessoa. Fui servido com rapidez e precisão, como sempre. Pratos impecáveis, aromas ricos, tudo preparado para agradar. Ainda assim, algo estava errado.
A imagem da mesa vazia me atingiu de um jeito inesperado.
Era a primeira vez q