Rocco Mancini
O escritório estava mergulhado em uma penumbra densa, quebrada apenas pelo brilho azulado e fantasmagórico dos monitores. Eu me afundei na poltrona de couro, sentindo o peso do silêncio da mansão como se fosse uma pressão física sobre meus ombros. O uísque no copo permanecia intocado; eu precisava de cada neurônio focado, de cada instinto afiado.
Abaixo de mim, a cinco metros de profundidade, pulsava a minha maior fraqueza. Acima, nos quartos de hóspedes, repousava a minha maior dúvida.
— Matteo — chamei pelo intercomunicador. Minha voz soou estranha para meus próprios ouvidos, um sussurro áspero vindo de um homem que não dormia há dias.
Ele entrou em segundos, uma sombra silenciosa e eficiente. A iluminação mínima destacava as olheiras que ele também carregava.
— Senhor? - Diz eficiente como sempre.
— Há algo errado, Matteo. Terrivelmente errado — comecei, girando lentamente a poltrona para encará-lo. — Vincenzo Romano não veio aqui para selar uma aliança; ele veio par