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03_O campo de batalha do coração

A manhã seguinte chegou com a suavidade de um suspiro. Após um café rápido, permiti que Aby me vestisse com um traje de linho cor de pérola, simples mas elegantemente cortado. Ela entrelaçou meus cabelos em um coque despretensioso, deixando alguns fios soltos para emoldurar o rosto. Com uma maquiagem leve, meus olhos cor de mel ganharam um brilho que eu não reconhecia—um brilho de decisão. Eu me via no espelho e, pela primeira vez, não via a sombra de Alessia ao meu lado. Via apenas uma mulher com uma missão.

— Para onde a senhorita planeja ir? — perguntou Aby, ajustando a manga do meu vestido.

Virei-me já na porta, a determinação acelerando meus passos. —Vou ao campo de treinamento.

— O que vai fazer lá, senhora?

Saí sem dar mais explicações, meu coração um tambor against my ribs. A ansiedade não era por medo, mas pela antecipação do que estava por vir.

A cada passo em direção ao campo, o mundo parecia desacelerar. O ar quente carregava o som metálico de espadas se cruzando e os comandos curtos dos instrutores. E então, entre todos aqueles homens, meus olhos o encontraram.

Philip.

O tempo, de fato, parou.

Sua camisa branca, encharcada de suor, colava-se a um torso esculpido como se cada músculo tivesse sido cinzelado por um artista. Seus cabelos, da cor de chamas douradas e cobre sob o sol, ondulavam com uma vida própria, molhados pelo esforço. O suor fazia sua pele brilhar como mármore polido, destacando a linha de seu maxilar forte e a barba cuidadosamente aparada que delineava seu rosto. Seu nariz, reto e com uma ligeira curva na ponta, dava-lhe um ar nobre e resoluto.

Mas eram seus olhos que sempre me capturavam. Um verde profundo que mudava com a luz—ora como as águas serenas de um lago, ora como a floresta densa à noite. Eles refletiam uma natureza crua e honesta, uma força tranquila que falava diretamente à minha alma.

Naquele momento, aqueles olhos se voltaram para mim. Ele parou, entregou a espada a outro cavaleiro e começou a caminhar em minha direção. Seu rosto, antes concentrado e severo, suavizou-se. Um sorriso fácil, que fazia o sol parecer pálido, surgiu em seus lábios. Era despretensioso, confidente, e dono de todo o campo à sua volta.

E então eu senti. Um frio na espinha, seguido por uma onda de calor que queimou minhas faces. Meu coração acelerou, traindo a calma que eu tentava projetar. As palmas das mãos ficaram úmidas, e o ar pareceu fugir dos meus pulmões. Era inútil negar—eu ainda estava profundamente apaixonada por ele. E era exatamente por isso que eu o evitara. Se não fosse por esse sentimento teimoso e persistente, talvez eu tivesse deixado Alessia brincar com ele até se cansar.

— Que surpresa, Sophia. Você aqui.

Sua voz. Era como conhaque—quente, suave, com uma profundidade que ressoava em lugares escondidos dentro de mim. Eu conhecia cada nuance dela: o grave que arrastava como seda, o suspiro rouco nas consoantes. Em noites solitárias, era essa voz que ecoava em minha memória, não como um som, mas como uma brasa persistente, queimando lentamente.

— Senhor duque Philip, — comecei, tentando manter a formalidade. — Há algo que preciso lhe contar.

O ar ao nosso redor pareceu esfriar instantaneamente. Seu sorriso desapareceu.

— Por que a formalidade? Você nunca foi de usá-las. — Ele olhou para o lado, e um leve franzir apareceu entre suas sobrancelhas. Parecia... incomodado.

— Duque, sei que não vai acreditar em mim, mas é importante. É sobre Alessia.

Ele soltou um suspiro exasperado, seu rosto fechando-se como uma porta. A beleza de seus traços tornou-se severa.

— O que há de errado com você? Você me evitou pelos últimos quatro meses, e agora aparece aqui para falar sobre Alessia?

A ironia era cortante. Aquela boca, capaz de parecer tão doce, agora cuspia palavras duras. Mas eu sabia que chegar com a verdade nua e crua sobre a traição não funcionaria. Ele estava cego por ela. Precisava de outra abordagem.

— Quero que você rompa o noivado com Alessia — declarei, minha voz mais firme do que eu sentia. — E case-se comigo.

Seus olhos, normalmente estreitos e focados, arregalaram-se. As sobrancelhas perfeitas subiram até a testa, criando vincos de pura incredulidade.

— Do que diabos você está falando?

— Você me ouviu. Case-se comigo. Não com ela.

Seu rosto tensionou-se novamente, a raiva substituindo o choque.

— Você provavelmente não está mais noiva para fazer um pedido absurdo desses.

— Estou sim. Jonas e eu terminamos. — A admiração que passou por seus olhos foi breve, mas notável. — Mas isso não vai acontecer, Sophia. Eu vou me casar com sua prima, e você sabe disso. Se eu te pedisse algo absurdo como isso, você aceitaria?

Ele me encarou, seu tom desafiador.

— Sim — respondi sem hesitar, meus lábios se apertando um contra o outro ao admitir aquela verdade dura. — Você é a minha primeira opção. É uma pena que eu não seja a sua.

Dei um longo suspiro, olhando para os outros homens que treinavam no campo, alguns lançando olhares curiosos em nossa direção.

— De qualquer forma, não posso fazer nada — concluí, com um ar de resignação que não era totalmente falso. — Então me ajude. Ajude-me a escolher um marido entre os homens que treinam neste campo.

— O quê?! — Sua voz soou mais áspera e alta do que antes, fazendo alguns cavaleiros virarem a cabeça.

— Me ajude a encontrar aqueles com os melhores status familiar e riquezas. Elimine os que já têm noivas ou são casados.

— Eu não vou fazer isso. — Sua recusa foi cortante, final.

— Assim que meu pai souber que meu noivado não deu certo, ele irá atrás de outro candidato. E eu não pretendo deixá-lo tomar conta disso novamente. Então, ou você me ajuda, ou eu faço sozinha. — Mantive meu olhar firme no dele, projetando uma determinação que, em parte, era real. Era verdade que meu pai era terrível em fazer escolhas. E se Philip me ajudasse nisso, eu ganharia tempo. Tempo para provar a ele quem Alessia realmente era.

E, secretamente, talvez eu ganhasse uma chance de fazê-lo me ver. Não como a prima da noiva, mas como a mulher que sempre esteve ali.

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