A cidade passava como borrões de luz e concreto pela janela do carro. O motorista falava algo sobre o clima ou o trânsito, mas Isadora mal ouvia. Estava muda. As mãos trêmulas apertando o tecido da saia, como se o simples gesto pudesse conter o vendaval que se formava dentro dela.
Ela queria gritar.
Mas o grito não saía.
Só o choro. Silencioso, contínuo, amargo.
A imagem do beijo... aquele maldito beijo... se repetia como um pesadelo em loop. Helena, nos braços de Lorenzo.
E o pior de