Mundo de ficçãoIniciar sessãoSol nunca teve uma vida fácil. Simples, forte e determinada, ela aprendeu desde cedo a lutar por tudo — até pelo direito de ser amada. Augusto Brasão, por outro lado, é um bilionário frio, marcado por uma perda devastadora que transformou seu coração em gelo. Ele não acredita mais no amor… até que um encontro inesperado muda tudo. Entre encontros intensos, diferenças gritantes e segredos do passado que voltam para destruir tudo, Sol e Augusto se veem presos em uma paixão avassaladora — capaz de curar… ou destruir de vez. Mas quando mentiras, traições e manipulações vêm à tona, o amor deles será colocado à prova como nunca antes. Será que o calor de Sol será suficiente para derreter um coração congelado? Ou algumas feridas são profundas demais para serem curadas? Entre dor, redenção e um amor que insiste em sobreviver… nasce uma nova história. Um romance intenso, cheio de reviravoltas, segredos e emoções que vão te fazer prender a respiração do começo ao fim.
Ler maisPOV. Augusto
O sol brilha em Paris, e hoje deveria ser o dia mais importante da minha vida. Hoje eu pediria Poliana em casamento. Ela é o amor da minha vida. Nos conhecemos desde a infância, e desde então sempre foi assim — natural, intenso, inevitável. Estou em frente à Torre Eiffel, segurando um buquê de rosas. As preferidas dela. Aguardo sua chegada. Olho para o relógio no pulso mais vezes do que gostaria de admitir. Nada. O horário que combinamos já passou. Tento ligar algumas vezes, mas nenhuma chamada é atendida. Um aperto estranho se forma no meu peito. Uma sensação ruim. Como uma premonição. Antônio, meu motorista , se aproximou e pediu licença. — Senhor Augusto… — Pois não, Antônio? — É sua mãe. Ela ligou no meu celular. Como o senhor não atendeu… Pego o aparelho da mão dele, irritado, e atendo. — Mãe, se eu não atendi é porque estou ocupado. As palavras dela vêm como um furacão. Meu coração acelera. E, ao mesmo tempo, sinto como se tivesse parado de bater. Deixo o celular escapar da minha mão. O buquê de rosas cai no chão. As lágrimas descem sem que eu consiga impedir. Antônio se aproxima rapidamente, segurando-me quando minhas pernas enfraquecem. — Senhor Augusto… Ele me chama, mas a voz soa distante. Nada em mim reage. Como assim eu perdi o meu amor? Como isso pode ser possível? Antônio me conduz até o carro. Entramos em silêncio e seguimos para o hospital. Nada voltou a ser como antes naquele dia. Foi o dia em que o amor da minha vida morreu. Dez anos depois... Estou diante do túmulo da única mulher que amei. Os anos passaram, mas a dor permaneceu. Nunca consegui esquecê-la. Coloco sobre a lápide um buquê de rosas vermelhas. As preferidas dela. Fico ali, em silêncio. Um acidente de carro te levou de mim no dia em que eu te pediria em casamento. Naquele dia, prometi que nenhuma mulher ocuparia o seu lugar. E cumpri essa promessa. Enquanto estou perdido nos meus pensamentos, uma jovem passa por mim. Ela carrega um buquê de begônias. Cabeça baixa. Óculos. Ela chora em silêncio ao atravessar o caminho entre os túmulos. Fico intrigado. Begônias são flores raras em cemitérios. Quando ela passa ao meu lado, a brisa espalha seu perfume até mim. Eu congelo. Minha mente me trai. Meu corpo reage antes da razão. — Poliana… Meu coração dispara. Vou até ela rapidamente e seguro seu braço. Com o impacto, as flores caem no chão. Ela se vira assustada. Olhos verdes arregalados encontram os meus. Fico mudo. Ela puxa o braço com força e me encara. — Você é maluco? Ou tá treinando pra ser? A voz dela me traz de volta à realidade. O mesmo perfume… Mas não é ela. Ou talvez seja esse lugar que esteja me deixando nostálgico demais. Ajeito o terno e mantenho o olhar firme. — Me desculpe, senhorita. Eu a confundi com alguém. Ela se abaixa em silêncio, juntando as flores do chão. Ajusta os óculos e se levanta, encarando-me. — Não sei de onde você vem, mas por aqui os humanos não saem agarrando ninguém. A não ser que sejam tarados. — Garota, eu pedi desculpas. Quer o quê mais? Outras flores? — Aliás… begônias? Sério? — Olha só… além de tarado, ainda é intrometido. — Não vou ficar aqui discutindo com alguém como você. Ela me olha e solta uma risada curta. — Se olhar para os lados, senhor, vai ver que só tem euzinha pra discutir… ou o senhor costuma falar com os mortos? O deboche dessa menina me prende. Contra a minha vontade, desperta algo incômodo — uma vontade absurda de continuar discutindo. O perfume é o mesmo de Poliana. Mas a audácia… não. Poliana era sensível. Meiga. Essa aí é só… doida. Viro as costas e me afasto. Não quero pensar nela. Não aqui. Entro no carro e fecho a porta. — José, me leve para casa. Desde que Antônio foi demitido, sem eu entender o porque até hoje, José trabalha pra mim. Recosto no banco, sentindo um peso estranho no peito. — Hoje não quero ver ninguém. Preciso ficar sozinho. Mas, pela primeira vez em anos, o silêncio não parece suficiente. .POV. AugustoSaio da empresa em silêncio.Já havia avisado a José que queria ficar sozinho. Pego o carro e sigo em direção ao hospital.Preciso falar com Juliano sobre nossa mãe.E, talvez, ele consiga me ajudar a entender tudo o que está acontecendo dentro de mim.…Chego ao hospital e estaciono em frente à entrada.Antes de descer, algo me faz parar.Vejo Juliano saindo do prédio, sorrindo, ao lado de uma mulher.No início, não consigo ver direito.Meu coração nem reage.Mas então ela se vira.Meu peito congela.A garganta seca.Sol.Ela está sorrindo.Sorrindo de um jeito leve… um sorriso que eu conheço bem demais.Juliano fala algo e ela ri.Os dois entram no carro juntos.Fico ali, parado, observando o carro se afastar.— Você permitiu isso, Augusto… agora aceita.Dou um soco forte no volante.Bufo, sentindo a raiva e a culpa se misturarem.Ligo o carro e acelero sem rumo pelas ruas.A imagem dos dois no carro não sai da minha cabeça.Ela sorrindo de um jeito que, talvez, nunca s
POV. AugustoObservo pela janela do helicóptero.Em silêncio.Esses dias longe de tudo me deram a falsa sensação de que eu conseguiria viver sem amar ninguém de novo.Mentira.Eu amo Poliana.E será assim para sempre.Assim que o helicóptero pousa, desço e ligo para Lorenzo. Aviso rapidamente que já cheguei.Entro no carro. José me aguardava.Seguimos em direção à empresa.…Quando o carro para, fico alguns segundos observando o prédio.Meu peito aperta.Respiro fundo.Desço.Caminho em direção à minha sala.Quando chego, ela está lá — em pé, vindo do banheiro.Sol não me olha.Senta-se à mesa em silêncio.Aquilo me rasga por dentro.Mas ela está certa.Eu pedi isso.Entro na minha sala sem dizer nada.A porta se fecha.Tudo está impecável.Organizado demais.Com certeza foi ela quem deixou tudo assim.Sento-me à mesa.— É, Augusto… de volta à realidade. Tudo em seu devido lugar.…Trabalho tanto que não percebo quando o dia termina.A escuridão invade o escritório.Está tarde.Levant
POV. SOLAcordo com Ana pulando na minha cama, empolgada como uma criança.— Irmãzinha, que noite incrível! — ela dispara. — A Katiane é maravilhosa, cheia de ideias… vamos montar uma coleção juntas, você vai ver!Enquanto ela fala sem parar, eu me sento na cama e a observo.Minha vontade era contar tudo.Chorar.Desabar.Mas não posso apagar o brilho dela.Forço um sorriso e vou pra cozinha preparar o café.— A dona Geralda já saiu? — pergunto. — Já. Nem vi.Enquanto a água ferve, Ana está no banheiro. Coloco a mão no peito, respirando fundo.— Augusto Brasão… eu não posso, e não vou me apaixonar por você.Arrumo a mesa. Quando termino, a campainha toca.Vou até a porta achando que é a dona Geralda.Abro.E quase perco o equilíbrio.Augusto está parado ali, de óculos escuros.— Posso entrar? — ele pergunta, com a voz firme.Empurro a porta um pouco, mantendo ele do lado de fora.— Tá doido? Veio arrumar problema pra mim? Minha irmã nem imagina o que aconteceu ontem.— Eu preciso conv
POV. AUGUSTOSaí quase correndo daquele quarto.Ela estava perto demais. O cheiro dela.Aquela boca.Eu precisava resistir.Era só desejo. Nada além disso.Abro a geladeira, pego frios, qualquer coisa para ocupar as mãos — para ocupar a mente. Vou fazer um sanduíche pra ela. Algo simples. Algo que não envolva olhar, toque ou pensamento.Então escuto um grito abafado, misturado com risadas.Corro até o banheiro.A torneira está disparada, a água jorrando sem controle. Coloco a mão para fechar, mas acabo me molhando também. Quando levanto o rosto, ela me encara — e começa a rir.E eu… eu rio junto.Fico parado, observando.Ela é leve.O riso solto, quase travesso. Uma alegria que não pesa, que não cobra. Aquela risada simples me desarma mais do que qualquer provocação.Ela tenta pegar as toalhas. Escorrega.Tudo acontece rápido demais.Caímos juntos.O impacto faz nossos lábios se tocarem — um selinho involuntário, breve… mas suficiente.Os olhos dela se arregalam. Assustada.Eu me afas





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