O pedido de avaliação familiar não chegou como um ataque frontal.
Chegou como tudo que pretende ferir sem deixar marcas visíveis: burocrático, técnico, aparentemente neutro.
Luna leu o documento três vezes naquela manhã.
Não porque não tivesse entendido.
Mas porque cada palavra carregava uma intenção disfarçada.
— “Ambiente emocionalmente instável.” — ela leu em voz baixa. — “Possível influência externa na formação cognitiva da criança.”
Adrian fechou a pasta com força controlada.
— Eles não estão falando do Elias — disse. — Estão falando de você.
— Estão falando de mim como se eu fosse um risco — Luna respondeu. — E isso é perigoso porque não exige provas. Só narrativa.
Adrian passou a mão pelo rosto.
— Já acionei o jurídico. Vamos responder formalmente.
— Não — Luna disse, com calma firme. — Vamos responder estrategicamente.
Ele a encarou.
— Qual a diferença?
— A formalidade protege o processo. A estratégia protege a verdade.
Elias percebeu a tensão no café da manhã.
— Eu fiz algo er