A primeira consequência real não veio da imprensa.
Veio da escola.
Luna soube disso antes mesmo de Adrian terminar de ler o e-mail no tablet. O jeito como ele franziu o cenho, o silêncio prolongado, a respiração controlada — tudo indicava que alguém havia cruzado uma linha invisível.
— Eles pediram uma reunião pedagógica extraordinária — Adrian disse, por fim. — Hoje à tarde.
— “Pediram” — Luna repetiu, sem humor. — Ou exigiram?
— Usaram palavras educadas — ele respondeu. — Mas o tom era de urgência institucional.
Luna fechou os olhos por um instante.
Era sempre assim.
Quando não podiam atacar diretamente, atacavam o entorno.
— Eles vão questionar a estabilidade emocional do Elias — ela disse. — E, por tabela, a minha influência.
Adrian assentiu.
— Já estou acostumado a jogarem xadrez com pessoas.
— Não — Luna corrigiu. — Eles jogam damas. Só enxergam movimentos óbvios. O problema é que fazem isso com crianças no tabuleiro.
Elias percebeu que algo estava diferente antes mesmo de sair p