Luna Santiago não abriu o relatório imediatamente.
Ficou alguns minutos apenas olhando para a tela do notebook, como se o simples ato de clicar pudesse alterar o curso de tudo o que vinha sendo construído até ali.
Havia aprendido, ao longo dos últimos meses, que certas verdades não explodem.
Elas corroem.
Abriu o arquivo com cuidado.
O documento era antigo, digitalizado às pressas, mas inconfundível. Cabeçalho do hospital. Código interno. Assinaturas médicas. Datas que não batiam com a versão oficial.
E, no centro, o nome.
Isabella Turner.
Não como paciente.
Como responsável por autorização emergencial.
Luna sentiu o estômago se contrair.
Ela percorreu as páginas lentamente, anotando mentalmente cada detalhe: horários alterados, medicamentos registrados após o óbito, uma transferência de setor que nunca fora comunicada à família.
Aquilo não era uma acusação direta.
Era pior.
Era um rastro.
Fechou o notebook apenas quando ouviu passos no corredor.
Adrian entrou no quarto poucos segundos