– O PESO DO QUE NÃO SE DIZ
WILLIAM
A casa nunca esteve tão silenciosa.
Mesmo com Theo ali, com seus passos pequenos correndo pelo corredor e a televisão ligada em volume baixo, o silêncio era outro. Não era ausência de som. Era ausência de algo que antes preenchia os espaços sem esforço.
Presença.
Daiane dobrava algumas roupas no sofá, concentrada demais para alguém que dizia estar tranquila. Seus movimentos eram precisos, quase calculados. Ela levantou o olhar quando me aproximei, oferecendo um sorriso suave, daqueles que não pedem nada — apenas esperam.
— Ele já dormiu — ela disse. — Pediu para que eu lesse a história hoje.
Assenti.
— Obrigado.
Ela inclinou a cabeça, satisfeita.
— Está ficando mais fácil — comentou. — Ele está se adaptando.
A palavra ecoou em mim.
Adaptando.
Como se sentimentos fossem móveis que mudam de lugar até caberem melhor.
Subi as escadas sem responder. No quarto de Theo, o abajur ainda estava aceso. A história repousava aberta sobre a cama, mar