– O ECO DO QUE FALTA, O NASCER DO QUE VEM
WILLIAM
A casa nunca foi silenciosa.
Não de verdade.
Havia sempre passos, vozes, pequenas interrupções — mesmo quando eu estava sozinho, existia a sensação de que alguém poderia surgir a qualquer momento.
Mas agora era diferente.
O silêncio tinha peso.
Desci as escadas naquela manhã esperando, por hábito, ouvir Theo discutindo sobre o café, ou Ana reclamando que ele tinha esquecido o casaco. O impulso foi tão automático que só percebi quando já estava na metade da escada.
Nada.
A cozinha estava organizada demais.
Sem o copo fora do lugar. Sem o caderno esquecido. Sem o cheiro de café feito às pressas.
Daiane estava sentada à mesa, lendo algo no tablet.
— Bom dia — disse ela, suave.
— Bom — respondi.
Peguei uma xícara.
O café estava pronto, perfeitamente servido.
E, ainda assim, senti falta daquele detalhe errado que sempre denunciava a presença de Ana.
— Theo já saiu? — perguntei.
— Sim — respondeu Daiane. — Eu o levei mais c