– LINHAS QUE SE AFASTAM, DESTINOS QUE SE DEFINEM
WILLIAM
A rotina voltou a me engolir.
Reuniões longas. Decisões rápidas. Resultados esperados.
Tudo funcionava.
E, ainda assim, nada parecia certo.
Daiane passou a ocupar espaços que antes eu nem percebia que tinham dono.
Ela buscava Theo. Levava-o à escola. Sentava-se com ele no chão para brincar, ainda que o sorriso demorasse a alcançar os olhos.
— Papai, a mamãe desenha diferente — Theo comentou certa noite, enquanto eu o ajudava a vestir o pijama.
Congelei.
— Diferente como? — perguntei, tentando manter o tom neutro.
— Ela faz bonecos bonitos — respondeu. — Mas a Ana desenhava coisas que pareciam de verdade.
Fechei os botões da camisa dele com cuidado demais.
— Cada pessoa desenha do seu jeito.
— Eu sei — disse ele. — Mas eu gostava mais do jeito da Ana.
Não respondi.
Apaguei a luz e fiquei ali, sentado ao lado da cama, mais tempo do que o necessário.
Daiane observava da porta.
DAIANE
Ele estava mudando.
Mais sil