A primeira coisa que senti foi o peso, não dor — ainda não. Peso, como se meu corpo tivesse sido esquecido embaixo de algo grande demais e agora estivesse tentando lembrar como se move. Meus braços pareciam longes e minhas pernas, inexistentes.
Depois veio o som. Um bip constante, ritmado. Irritante. Ele marcava o tempo de um jeito que eu não reconhecia. Não era o tempo da casa, nem o tempo do riso da Sofia, nem o tempo silencioso dos olhares com Arthur. Era outro, clínico e frio.
Abri os olhos