A matéria não era grande e justamente por isso era perigosa. Arthur a encontrou cedo, antes mesmo do café esfriar. Um link enviado por um assessor, acompanhado de uma mensagem curta demais para trazer boas notícias.
“Precisamos conversar.”
O título parecia inofensivo, quase elogioso: “CEO mantém rotina discreta enquanto reestrutura vida pessoal.”
Arthur leu uma vez, depois outra. Cada parágrafo vinha carregado de insinuações cuidadosas, dessas que não afirmam nada, mas deixam tudo sugerido. A palavra babá aparecia uma única vez — suficiente para contaminar o texto inteiro. Ele fechou o tablet com força controlada.
Helena percebeu algo errado antes mesmo que ele dissesse qualquer coisa, Arthur não costumava levar trabalho para a mesa do café daquela forma. Estava tenso, fechado, distante demais.
— O que foi? — ela perguntou.
Arthur deslizou o tablet na direção dela.
Helena leu em silêncio. Sentiu o rosto esquentar, não de vergonha, mas de invasão.
— Eles não dizem nada… — ela murmurou.