Helena percebeu antes mesmo que algo estivesse errado. Não foi uma palavra dita, nem um gesto claro. Foi o modo como os olhares começaram a durar um segundo a mais do que o necessário. Como as conversas cessavam quando ela entrava em determinados ambientes. Como o silêncio ganhava uma textura desconfortável.
Ela sentiu isso ao chegar com Sofia à escola, duas mães conversavam perto do portão. Pararam ao vê-la. Sorriram — educadas demais, avaliadoras demais.
— Bom dia! — Helena disse.
— Bom dia! — responderam, em uníssono, e voltaram a conversar em tom mais baixo.
Helena segurou a mão de Sofia com um pouco mais de força.
— Você tá apertando. — Sofia comentou.
— Desculpa, amor.
Durante o caminho de volta, Helena sentiu o incômodo crescer, como se algo estivesse sendo observado de fora para dentro. Não era paranoia, era exposição.
Naquela mesma manhã, Arthur percebeu mudanças no escritório. Não em números, nem em decisões estratégicas, mas no comportamento das pessoas. Um comentário inter