Ela não avisou que viria. Arthur descobriu pelo porteiro, em uma ligação curta demais para amortecer o impacto.
— Senhor Arthur, a senhora Laura está aqui. Diz que precisa falar com o senhor.
Laura. O nome atravessou o dia como uma lâmina antiga. Não porque ainda doesse — mas porque carregava memória suficiente para abrir espaços que ele mantinha fechados há anos.
— Mande subir. — Arthur respondeu, depois de um segundo a mais do que o necessário.
Quando desligou, ficou parado no escritório, olhando para a janela sem realmente ver a cidade. Pensou em Helena, em Sofia. Pensou em tudo que estava cuidadosamente sendo construído… e em como o passado tem o hábito de aparecer quando o presente começa a ganhar forma.
Laura entrou sem pedir licença.
Elegante, segura, o mesmo tipo de presença que sempre soubera ocupar qualquer ambiente. Os cabelos claros presos com precisão, o olhar firme demais para quem vinha apenas “conversar”.
— Você continua sem mudar a senha do elevador social. — ela come