O passado não avisa quando retorna, ele não bate à porta nem pede licença. Apenas se infiltra, silencioso, trazendo consigo lembranças que nunca foram realmente embora. Arthur sentiu isso logo cedo, ao ver o nome de Laura aparecer na tela do celular enquanto a casa ainda despertava. Ele não atendeu de imediato.
Observou o aparelho vibrar sobre a mesa por alguns segundos a mais do que o necessário, como se o tempo pudesse mudar o que aquela ligação significava. Helena estava na cozinha, preparando o café, Sofia ainda dormia. O mundo seguia intacto — por enquanto.
Arthur respirou fundo antes de atender.
— Arthur. — a voz de Laura veio firme, controlada — Vou passar uns dias na cidade, preciso ver a Sofia.
Não havia pedido, havia afirmação.
— Claro. — ele respondeu, com a calma que aprendera a usar como escudo — Podemos organizar.
Desligou pouco depois, sentindo o peso antigo se acomodar novamente nos ombros. Não era saudade, era responsabilidade e a consciência incômoda de que algumas h