Helena percebeu antes de entender. Havia algo no ar — não uma ameaça clara, mas um deslocamento sutil, como quando uma casa conhecida começa a ranger em pontos que antes eram silenciosos. O dia começou comum demais, e talvez fosse exatamente isso que a deixou alerta.
Arthur estava mais contido, não distante, contido. Falava menos, observava mais, como alguém que mede cada palavra antes de deixá-la sair. Helena conhecia aquele tipo de postura, não era frieza, era proteção.
— Você está quieto. — ela comentou, enquanto organizava a mochila de Sofia.
Arthur ergueu os olhos por um instante.
— Só pensando.
— Pensar demais costuma virar silêncio. — ela respondeu.
Ele não discordou.
Sofia saiu para a escola animada, levando consigo a leveza que ainda não sabia perder. Assim que a porta se fechou, a casa mudou de tom.
— Laura ligou de novo. — Arthur disse, por fim.
Helena assentiu, mantendo a calma no gesto.
— Imagino.
— Ela vem hoje. — completou, distante — Quer ver a Sofia.
O aviso não veio