O cheiro de lavanda e camomila seca sempre tivera o poder de acalmar o ambiente, mas naquela tarde o ar parecia pesado, carregado com a eletricidade que antecede uma tempestade. As mãos de Lyra Ashbourne tremeram levemente enquanto ela macerava as folhas de calêndula no pilão de pedra. Na sua nuca, logo abaixo do emaranhado de seus longos cabelos castanhos, a pele queimava. A sensação daquela marca em forma de lua crescente, que ela escondia de todos desde menina, estava mais intensa do que nunca. Quente como brasa. — Outro sonho, Lyra? — a voz rouca de Thomas, o curandeiro da Alcateia Blackthorn, quebrou o silêncio da cabana de madeira. Lyra olhou para o pai, tentando disfarçar as olheiras e o cansaço que pesava em seus ombros. Pelo terceiro dia consecutivo, ela havia acordado sufocada, com o coração batendo na garganta. No sonho, o mesmo grande salão de pedra escura se erguia diante dela, cercado por sete tronos majestosos vazios, esculpidos em ossos e ouro. Uma voz profunda, qu
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