Samantha
A noite estava fria, o tipo de frio que arranha a pele mesmo com o manto grosso. Eu havia insistido em assumir parte da vigília, não era mais a órfã da alcateia, tampouco a menina rejeitada.
Agora, eu tinha deveres e ninguém me tiraria esse direito. Mas naquela noite, enquanto os outros guerreiros descansavam em silêncio, Ayres permaneceu perto, a alguns passos de distância, como sombra impossível de ignorar.
O fogo da fogueira estalava baixo, lançando fagulhas que subiam ao céu, se misturando às estrelas. Eu olhava para elas, pensando no quanto já havia mudado desde a cerimônia da Lua. Pensando também no quanto ainda doía lembrar daquela noite.
Arwen sussurrou dentro de mim, suave como vento entre árvores.
— “Ele não se afastou de você desde que pôde voltar a respirar.”
— Eu sei. — respondi, em pensamento — Mas saber não apaga o que ele fez.
— “Nem o que ele sente.” — Ela riu baixinho — “Você mesma sente.”
Meu coração acelerou quando percebi que ele se aproximava. Não de fo