Ayres
O dia amanheceu com um cansaço que não cabia no corpo. A aldeia parecia uma fotografia esmaecida, telhados com fuligem, poças amarronzadas, marcas de botas nas passagens.
Gente viva, graças à Lua, graças a ela, mas com o rosto de quem ainda mede a distância entre o que poderia ter sido ruína e o que, por alguma razão maior do que nós, se manteve em pé.
Eu andei devagar pelo pátio, onde a rotina tentava renascer com teimosia, crianças juntando gravetos, mulheres estendendo panos, guerreiros recolhendo destroços.
Em cada rosto um pedido sem palavras, que eu fosse muro de novo. Em mim, um reconhecimento incômodo, o muro tinha fissuras. E todo mundo já tinha visto.
Joran veio ao meu encontro com um caderno de anotações nas mãos, o braço engessado por uma faixa improvisada.
— Precisamos fechar o flanco da ferraria antes do anoitecer. — disse, direto — E remanejar guardas para o curral. Falta madeira boa para escora.
Assenti, tentando manter o texto que o cargo exige.
— Faça a triag