Samantha
O peito dele subiu e desceu uma vez, mais profundo. Fenrir baixou o focinho por dentro, eu senti. Arwen encostou o nariz no meu pulso, sinal de aprovação discreto.
Eu não dei passo. Não estendi a mão. Deixei-o diante do próprio caminho.
O silêncio da clareira não era vazio. Era mesa posta para a escolha. Quando a gente para de gritar por dentro, começa a ouvir. E eu ouvi o que precisava.
— O que eu tenho que fazer? — Ayres perguntou, baixo, sem pressa, como quem aceita que a resposta pode doer.
A pergunta amadurecida pesa menos do que as justificativas. Eu poderia listar punições, exigir promessas impossíveis, mandar que ele sangrasse até eu não lembrar mais da minha vergonha. Mas a minha liderança não se constrói em cima do espetáculo do outro. Ela se constrói em cima de processo.
— Não é prova para mais ninguém. — respondi — É prova diária. Começa dentro da sua casa, do seu corpo e do seu posto. Você vai ouvir quem não tem título. Vai erguer os que o seu orgulho empurrou.