Samantha
A aldeia estava em festa. Não uma festa alegre, dessas que nascem de convites e danças, mas a celebração cansada de quem sobreviveu ao impossível.
Fogueiras crepitavam em pontos diferentes, guerreiros bebiam goles apressados, mulheres se abraçavam entre lágrimas e risos. As crianças corriam atrás umas das outras, aliviadas por ainda estarem vivas.
Eu observava tudo à distância, encostada em uma árvore na beira da clareira. Meus olhos seguiam cada detalhe, mas meu corpo não se deixava misturar àquela vitória.
A energia lunar que explodiu em mim ainda pulsava nos ossos, e parte de mim temia que, se me aproximasse demais, todos veriam mais do que deviam, não apenas a força que me salvou, mas também as rachaduras que ninguém podia curar.
Os olhares já me seguiam. Respeitosos. Admirados. Sussurros corriam como vento entre folhas:
— “A enviada da Deusa.”
— “A escolhida.”
— “Aquela que virou a batalha.”
Palavras que não aqueciam, queimavam. Ser escolhida pela Lua parecia uma co