Samantha
Ele estava de joelhos. A Lua pendia alta, clara, fazendo do prateado um espelho do que eu sentia por dentro: uma mistura de frio e claridade. O campo ainda cheirava a cinza, suor e algo que sempre me encontra, mesmo quando eu não quero, menta e terra molhada. O cheiro dele.
Eu não disse nada de imediato. Olhei para o homem à minha frente e, por um instante, o título desapareceu. Não vi o Alfa que me humilhou diante de todos.
Vi o menino que correu da própria tragédia, as mãos pequenas arrancadas daquilo que mais amava, a infância cortada. Vi também o adulto que ergueu muralhas sobre feridas abertas e chamou as pedras de escudo.
Arwen se aproximou de mim por dentro, sem pressa, como loba que não pisa em galhos secos.
— “Ele está no chão, Sam.” — disse ela, baixa — “O corpo cedeu. A língua também. O resto é você.”
— Eu sei. — respondi sem mover os lábios — Mas eu me lembro.
E me lembrava. Do salão cheio, do meu nome na voz dele, bonito e triste, e depois a palavra que pesou ma