Capítulo 28 - Enfraquecido

Ayres

Eu já aguentei invernos piores, mas nunca com tantas vozes medindo minha respiração.

— “Você pode continuar fingindo para os outros.” — Fenrir voltou, sem empurrar — “Para mim, não dá.”

— Eu sei. — Eu disse, enfim, com o pouco de honestidade que ainda encontrava à mão — Eu sei.

E não foi alívio. Foi rendição temporária à verdade.

Tranquei o quarto por dentro e deixei o silêncio fazer aquilo que nenhuma espada sabe fazer: arrancar máscaras. Tirei os braceletes, deixei o manto cair, lavei o rosto numa bacia de água morna. A água escureceu um tom, como se puxasse um pouco da noite que eu carregava nos olhos.

A mesa guardava coisas que sempre me acalmaram, mapas, facas, listas. Abri o baú menor e encontrei o colar com o dente de lobo do meu avô, presente de “homem para homem” quando fiz treze anos. Coloquei-o por reflexo, como quem chama uma benção herdada. Não ajudou.

Toquei a madeira da janela e olhei a encosta que falhou sob meus pés. Por um segundo, quase pude sentir outro cheir
Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App