Ayres
A madrugada ainda segurava a noite pelo pescoço quando deixamos o pátio. O frio entrava pelas frestas da armadura de couro, mastigava os ossos. Devia ser uma caçada simples, cervo na encosta leste, trilha conhecida desde que eu era menino. Eu escolhi ir à frente. Sempre escolhi.
Joran veio um passo atrás, silencioso como sempre, e dois jovens, Kade e Rellan, formavam a retaguarda. A mata pingava orvalho.
O mundo cheirava a resina, terra revolvida e, em alguma dobra da memória, a um perfume impossível de esquecer: o dela, não consigo me livrar disso. Mordi o pensamento antes que virasse distração.
— Leste até o penhasco baixo. — disse, em voz baixa — Sem fogueira quando pararmos.
Joran assentiu. Os meninos só trocaram um olhar rápido de ansiedade boa. Eu quis acreditar que aquela pressa de provar valor ainda vivia em mim. Quis. Mas o que eu sentia era o peso do corpo, como se a própria floresta estivesse mais íngreme do que ontem.
Quando o rastro apareceu, pegadas frescas, fezes