Samantha
O fogo crepitava no centro do círculo sagrado, lançando sombras dançantes sobre os rostos atentos dos membros do clã lunar.
O ar cheirava a ervas queimadas, sálvia, alecrim e raízes secas, um perfume forte que parecia abrir fendas entre o mundo visível e o invisível. Maelin, ereta como sempre, ergueu um cálice de prata em direção à Lua.
— Que a luz atravesse as trevas da memória. — sua voz ecoou, calma e firme — Que cada cicatriz encontre seu nome.
Eu respirei fundo, sentindo o coração acelerar. Já havia enfrentado guerreiros, treinado meu corpo e aprendido a comandar forças maiores do que eu mesma. Mas não havia treino que me preparasse para esse ritual: encarar o passado.
Oren se aproximou, colocou a mão no meu ombro.
— Está pronta, Sam?
— Nunca estive. — respondi com um sorriso frágil — Mas vou.
Ele assentiu e se afastou, dando lugar a duas sacerdotisas que desenharam símbolos de cinza sobre minha testa e minhas mãos. Ao toque, uma onda de calor percorreu meu corpo, e o