Ayres
O fim do dia caiu pesado sobre a fortaleza. A luz se esfarelava nas cristas do telhado, o cheiro de caldo e fumaça vinha do salão comum. Eu não desci. A fome tinha virado lembrança.
Passei o prato em cima da mesa para o lado, abri o baú de mapas, tentei forçar minha cabeça a caber nas linhas, fronteira norte, trilhas dos caçadores, pontos de vigia. Tudo em ordem, mas nada no lugar.
Dei alguns passos até o espelho alto de moldura escura. Fiquei diante de mim como se examinasse um adversário. A cicatriz antiga perto da sobrancelha esquerda, lembro exatamente como ganhei. O risco fino no queixo outro inverno, outra briga. A tatuagem no ombro, já foi brasão, agora parece lembrança.
Aproximei o rosto. Os olhos me devolveram algo que eu não gosto de ver: falta de fogo. Não é que ele tenha sumido, estava escondido atrás de coisa pior, medo com roupa de soberba.
— “A noite da rejeição.” — Fenrir disse, sem floreio — “Ali começou a rachadura.”
— Eu escolhi. — respondi — Para não repetir