Ayres
O corredor que leva ao salão dos Anciãos parecia mais comprido naquela manhã. O chão frio devolvia o som das botas como se cada passo fosse julgamento. Os lobos abriram passagem, mas não senti a energia de antes. Havia respeito, e dúvida misturada.
A porta pesada rangeu. Sete Anciãos me aguardavam no semicírculo de sempre. Marek ao centro, Edra à esquerda, Veyr à direita. Incenso queimava devagar em tigelas de bronze, tentando mascarar o cheiro verdadeiro do lugar: papel velho, cera e ansiedade.
Sentei na cadeira de pedra. Não era trono, era âncora.
— Alfa Greene. — começou Marek, sem rodeios — Convocamos esta reunião para tratar da sua… condição.
— Condição? — ergui o queixo — Se alguém aqui quer testar minha força, que venha para o pátio.
Edra não piscou.
— Não é sobre músculos. É sobre espírito. Há relatos de falhas nas suas transformações. Há relatos de que o seu lobo hesita.
Meu sangue esquentou.
— Boatos.
Veyr inclinou-se, dedos ossudos cruzados.
— Boatos nascem quando