Ayres
Os corredores da fortaleza Greene já não soavam como antes. Antes, cada passo ecoava firme, sustentado por uma alcateia que respirava comigo. Agora, havia outro som, baixo, traiçoeiro: o sussurro.
Andar entre eles era sentir o ar pesado de palavras não ditas na minha frente, mas repetidas logo atrás. Eu fingia não ouvir, mas meu faro, meu instinto, me entregava cada murmúrio como punhal enfiado pelas costas.
— …a Deusa fechou os olhos pra nós.
— …desde que ele rejeitou a Luna…
— Cala a boca, ele pode ouvir.
Eu ouvi. Sempre ouço. Alfa que não escuta perde o comando antes mesmo de perceber. Segurei o queixo erguido, coluna firme, olhar frio. Nenhum deles veria a rachadura. Por fora, ferro. Por dentro, ferrugem.
Na sala de conselhos, meu Beta, Joran, aguardava com relatórios de fronteira. Ele falava de rastros de caçadores ao norte, de trilhas suspeitas no leste. Mas não precisava dizer o que seus olhos já gritavam: ele também duvidava. Não de mim, do que minha recusa custava.
— Do