Samantha
No clã lunar, os dias agora tinham formato de rito. Acordávamos com o céu em um azul que mal cabia nos olhos, e eu seguia para o pátio de pedra onde Maelin já me esperava com o mesmo olhar que pesa e ampara. Oren alinhava os bastões, os demais guerreiros aqueciam em silêncio. Era rotina, mas não era. Em mim, tudo se movia como rio recém-desviado.
— Postura. — disse Maelin, encostando dois dedos entre minhas escápulas — A coluna não é vaidade. É eixo.
Respirei, deixando a espinha crescer por dentro. A cada inspiração, tentei lembrar que força não é empurrar o mundo, é deixar que a Lua o atravesse sem ruído. Quando Oren avançou com o bastão, não reagi com braço puro, inclinei-me um palmo, girei o quadril, convidei o golpe a errar. Ele sorriu, curto.
— Melhor. — avaliou — Está prevendo antes de ver.
Era isso, uma antecipação que não nascia do medo, mas da leitura. Arwen ronronou dentro de mim, satisfeita.
— “O corpo sabe quando a mente para de atrapalhar.” — ela brincou.
No fina