Ayres
O salão do conselho cheirava a fumaça de lenha e vinho forte. Três Alfas vizinhos estavam sentados à mesa de pedra: Aldren, do norte, Kael, do leste, e Ronan, do sul. Todos mais velhos do que eu, todos com a mesma postura, colunas eretas, olhares de quem mede cada palavra. O encontro era para discutir fronteiras e ataques de caçadores. Mas eu sabia, desde o momento em que pisei no salão, que não era só isso.
— Então, Ayres… — Aldren começou, a voz grave — ouvi boatos na floresta. Dizem que a Deusa te deu uma companheira… e que você a rejeitou diante de toda a sua alcateia.
Meu maxilar travou.
— Boatos correm rápido quando não há caçadas para distrair a língua.
Kael apoiou o cotovelo na mesa.
— Não é só boato. — Seus olhos me pesaram como pedras — É verdade, não é?
Eu os encarei sem piscar.
— O que eu faço com a minha vida pessoal não diz respeito a outros territórios.
Ronan, o mais direto, soltou uma risada curta, sem humor.
— Vida pessoal? — repetiu — Ayres, você sabe que n