O sol de fim de tarde dourava as colunas de pedra da sede dos Vors quando o carro preto atravessou os portões. Narelle aguardava no patamar principal, entre bandeiras ondulando e o murmúrio contido da matilha reunida. Ali, onde tantas vezes recebera aliados e rivais, chegava agora uma jovem enviada como gesto de respeito de outro clã.
Ela desceu do carro como quem já conhecia o terreno. Longos cabelos loiros caíam nas costas em ondas polidas, luzindo ao toque do vento. Os olhos, de um azul glacial, varreram o pátio numa avaliação silenciosa. O vestido curto de tecido firme moldava-lhe as curvas com uma insolência elegante: era provocação, sim, mas calculada. Tinha dezoito anos e a perna solta de quem sabe que todos olham.
“Bem-vinda aos Vors”, disse Narelle, estendendo a mão. “Sou Narelle Vorn.”
A menina sorriu com doçura quase tímida. “Elara D’Aurel, senhora. É uma honra aprender com você.”
A voz era cristalina, de aluna aplicada. Mas, por trás do sorriso, havia um lampejo rápido que