Dora já não era a loba altiva que outrora se impunha pela arrogância. O tempo e o silêncio da alcateia haviam feito nela o que nenhuma punição pública conseguiria: esvaziado o orgulho.
Dois anos haviam se passado desde sua união com Raag, um lobo de estatura impressionante, força admirável e coração duro como pedra. Ele a havia escolhido pela beleza, mas logo se cansou da ausência de filhos — e ela, do peso da rejeição diária.
A alcateia murmurava. As fêmeas desviavam o olhar com pena ou despre