Os dias seguintes ao incêndio foram uma mistura de tensão, tristeza e movimento.
A vinícola continuava interditada, com equipes de perícia circulando entre as ruínas. A imprensa começou a suspeitar, mas ainda não havia fotos suficientes para transformar aquilo em escândalo — apenas rumores.
Clara tentava seguir a rotina, mas tinha dificuldade de se concentrar.
Henrique, por outro lado, estava mais quieto do que o normal.
Não era silêncio de desconexão — era silêncio de foco.
De raiva contida.
De instinto de proteção.
A cada telefonema, cada e-mail, cada atualização que chegava, a mandíbula dele ficava ainda mais tensa.
Três dias depois, o telefone de Henrique tocou enquanto ele e Clara jantavam em silêncio no apartamento.
Ele atendeu na mesma hora, mas Clara viu no brilho dos olhos dele que algo importante tinha acontecido.
— Sim. Pode falar.
Pausa.
— Entendi.
Outra pausa.
— Continue.
Clara colocou o garfo no prato, observando a expressão dele mudar de neutra para severa.
Henrique agr